segunda-feira, 26 de julho de 2010

O Santuário das Libélulas Felizes...

Então, bom dia.

Existe, aqui na Universidade de São João del Rey, praticamente ao lado da sala que trabalho, um mestrado chamado "Bioengenharia Ecossistêmica". Estou bem de olho nesse mestrado, com bastante vontade de fazer e duzentas mil dúvidas. Lendo um pouco da bibliografia recomendada, me lembrei de algumas aulas que tive na disciplina chamada Limnologia.

Limnologia é uma ciência que pode ser também chamada de Ecologia dos Ecossistemas de Água Doce.

É muito legal.  Basicamente, é um estudo dos lagos e rios e de toda a fauna e flora desses ambientes.

Nesse final de semana, estive na Serra de São José. É uma serra, muito bonita por sinal, que divide os municípios de São João del Rey e Tiradentes MG. Essa serra tem predominantemente vegetação do tipo cerrado, é um lugar lindo mas que está correndo alguns riscos, pois existe uma mineradora e muitos turistas inconsequentes que estão poluindo o local. Pra combater esse impacto que está ameaçando alguns delicados ecossistemas que essa Serra ainda abriga, alguns técnicos do governo de Minas, (o  IEF - Instituto Estadual de Florestas é quem estava encabeçando isso) tomaram uma medida preventiva e transformaram a região no Parque Estadual da Serra de São José. Existem vários projetinhos de manejo, manejo de trilha e da própria UC (Unidade de Conservação), mas na prática a coisa ainda está meio ao léo, quer dizer, as trilhas são abertas a qualquer um, não há nenhuma espécie de orientação, ou de informações ecológicas sobre o local.

Uma das justificativas usadas para transformar a Serra de São José em Unidade de Conservação oficialmente protegida, foi a grande diversidade de espécies de libélulas que habitam a Serra de São José! Pra terem uma idéia, o vídeo institucional que assisti dizia que 55% das espécies de libélulas de Minas Gerais podem ser encontradas na Serra. É libélula pra caramba! Isso equivaleria, se não me engano, a 20 % de todas as espécies brasileiras. 20% pode parecer um número pequeno, mas lembrem-se que o Brasil é o país que ainda abriga a maior biodiversidade do mundo!

55% das éspecies de libélulas mineiras, significam 120 espécies diferentes de libélulas, numa área pequena, segundo a bióloga Sônia Rigueira, que é da UFMG e está desenvolvendo uma pesquisa sobre as libélulas da Serra de São José.

Lá em cima da Serra, existe uma trilha alternativa que leva até a cidade de Tiradentes. No meio dessa trilha existe uma nascente com uma água boa, que as pessoas bebem (eu adoro!). Graças a existência dessa água, essa parte da Serra permaneceu mais preservada e foi ali que descobriram um espécie endêmica (que ocorre só naquele local) de libélula.

Numa outra disciplina, Gestão Ambiental, fizemos um documentário sobre os impactos causados na litosfera (camada de solo da crostra terrestre) local. Fomos até uma mineradora que existe no local, entrevistamos o gerente e ele nos disse que possui uma concessão para funcionar durante 800 anos! 800!

Imaginem quantas espécies interessantes que já não existiram ali e foram extintas??

Existe uma equipe, uma galera da limnologia aqui da Universidade que desenvolve um projeto de pesquisa nos rios (streams) dessa área. 

Por falar em libélula, vocês sabiam que esse inseto, da Classe ODONATA, quando está no estádio (é estádio mesmo, não é de futebol, mas é o nome técnico dado aos estágios fisiológicos que uma espécie passa) de larva é um dos piores predadores do ambiente aquático? A larva é feinha que dói, mas é grandona e bem maior que os outros insetos pequenos que frequentam o ambiente aquático. Ela pode até ser feia (quando criança) e predadora, mas eu não posso deixar de exaltar a importância ecológica dessa amiguinha. Os predadores a primeira vista são assustadores, mas se analisarmos de uma maneira mais holística, mais ligado ao processo como um todo, poderemos perceber que os predadores são na verdade como lixeiros, ou seja, a ação deles, equilibra o tamanho das populações por exemplo. No caso da predação feita pelas larvas de Odonata, ou libélulas, elas estão impedindo que o ambiente fique sobrecarregado, superlotado de pequeniníssimos crustráceos, mosquinhas e até girinos!

A libélula adulta é bem linda, mas a larva.... Vejam que horrorosa (mas não sem importância)

Parece uma cigarrinha, né?
Mas sabem outra coisa legal sobre elas? A aerodinâmica. Eu acho impossível observar libélulas sem compará-las a pequenos helicópteros! Acho muito parecido. Parece que elas foram especialmente desenhadas para isso. Dorsalmente, libélulas possuem dois pares de asas. O que faz ela voar rápido e ter um ótimo desempenho áereo, é que os dois pares de asas delas se movimentam independentemente e ela controla isso. Num primeiro momento ela bate um par de asas, num outro, outro. (par).

Em 2008 apresentei um seminário só sobre libélulas. Pra buscar referência pra esse trabalho, descobri, na internet, um banco de dados inglês que tráz informações sobre boa parte das espécies de libelulas existentes no mundo. Lá, na Inglaterra, os caras tem um museu só de libélulas! Esse é o endereço do web site do museu britânico das libélulas  http://www.dragonflysoc.org.uk/. Tem um banco de imagens maravilhoso!


Essa Serra aí ao lado dessas casinhas históricas é onde originalmente existe um Santuário das Libélulas Felizes. As propostas de criação e manutenção de uma Unidade de Conservação são muito boas. Mas estão só no papel.

Infelizmente, essa beleza toda vem sendo substituída por farofeiros, tarados, adeptos de um piscinão de Ramos, animais mortos, restos de churrascos e muito lixo...!


Agora, está rolando um movimento pela federalização da Serra de São José. Infelizmente, todo o sistema de governo brasileiro ainda é meio podre. É que mais uma vez ,na História da criação de Unidades de Conservação, o governo vem, cheio de propostas "pseudoconservacionistas", desapropria uma porção de gente, não paga pelas terras de ninguém e sequer instala uma Unidade de Conservação decente! Tá parecendo que o governo do Estado não está dando conta do recado, então quem sabe se federalizar a coisa não melhora, já que agora existe no MMA (Ministério do Meio Ambiente) uma subdivisão, conhecida por Insituto Chico Mendes que cuida exclusivamente das Unidades de Conservação? Depois da criação do Instituto Chico Mendes a coisa melhorou e muito nas UCs Brasil afora!

É isso aí, a pressão popular tem rolado, vamos pressionar um pouco e ver o resultado. Pela Serra de São José, que não pode mais suportar as agressões que estão fazendo com ela!

5 comentários:

  1. Acho fofas as libelulas, quando eu era criança eu fala maribelulas..hauhauuau!!!
    bejinhos

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  2. Nego, fazer yoga é bom de mais.....estou me realizando...me encontrei sabe...estou feliz!
    Beijocas

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  3. Por isso que na Inglaterra não tem esse surtos de doenças relacionadas aos pernilongos , não que a prevenção não seja um caminho , mas vc ter esse predador natural do culex e do aedes aegypti em nossas casas patrulhando a existência desses a quem mencionei já é algo que vem nos ajudar de maneira muito importante.

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  4. Por isso que na Inglaterra não tem esse surtos de doenças relacionadas aos pernilongos , não que a prevenção não seja um caminho , mas vc ter esse predador natural do culex e do aedes aegypti em nossas casas patrulhando a existência desses a quem mencionei já é algo que vem nos ajudar de maneira muito importante.

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