segunda-feira, 26 de julho de 2010

O Santuário das Libélulas Felizes...

Então, bom dia.

Existe, aqui na Universidade de São João del Rey, praticamente ao lado da sala que trabalho, um mestrado chamado "Bioengenharia Ecossistêmica". Estou bem de olho nesse mestrado, com bastante vontade de fazer e duzentas mil dúvidas. Lendo um pouco da bibliografia recomendada, me lembrei de algumas aulas que tive na disciplina chamada Limnologia.

Limnologia é uma ciência que pode ser também chamada de Ecologia dos Ecossistemas de Água Doce.

É muito legal.  Basicamente, é um estudo dos lagos e rios e de toda a fauna e flora desses ambientes.

Nesse final de semana, estive na Serra de São José. É uma serra, muito bonita por sinal, que divide os municípios de São João del Rey e Tiradentes MG. Essa serra tem predominantemente vegetação do tipo cerrado, é um lugar lindo mas que está correndo alguns riscos, pois existe uma mineradora e muitos turistas inconsequentes que estão poluindo o local. Pra combater esse impacto que está ameaçando alguns delicados ecossistemas que essa Serra ainda abriga, alguns técnicos do governo de Minas, (o  IEF - Instituto Estadual de Florestas é quem estava encabeçando isso) tomaram uma medida preventiva e transformaram a região no Parque Estadual da Serra de São José. Existem vários projetinhos de manejo, manejo de trilha e da própria UC (Unidade de Conservação), mas na prática a coisa ainda está meio ao léo, quer dizer, as trilhas são abertas a qualquer um, não há nenhuma espécie de orientação, ou de informações ecológicas sobre o local.

Uma das justificativas usadas para transformar a Serra de São José em Unidade de Conservação oficialmente protegida, foi a grande diversidade de espécies de libélulas que habitam a Serra de São José! Pra terem uma idéia, o vídeo institucional que assisti dizia que 55% das espécies de libélulas de Minas Gerais podem ser encontradas na Serra. É libélula pra caramba! Isso equivaleria, se não me engano, a 20 % de todas as espécies brasileiras. 20% pode parecer um número pequeno, mas lembrem-se que o Brasil é o país que ainda abriga a maior biodiversidade do mundo!

55% das éspecies de libélulas mineiras, significam 120 espécies diferentes de libélulas, numa área pequena, segundo a bióloga Sônia Rigueira, que é da UFMG e está desenvolvendo uma pesquisa sobre as libélulas da Serra de São José.

Lá em cima da Serra, existe uma trilha alternativa que leva até a cidade de Tiradentes. No meio dessa trilha existe uma nascente com uma água boa, que as pessoas bebem (eu adoro!). Graças a existência dessa água, essa parte da Serra permaneceu mais preservada e foi ali que descobriram um espécie endêmica (que ocorre só naquele local) de libélula.

Numa outra disciplina, Gestão Ambiental, fizemos um documentário sobre os impactos causados na litosfera (camada de solo da crostra terrestre) local. Fomos até uma mineradora que existe no local, entrevistamos o gerente e ele nos disse que possui uma concessão para funcionar durante 800 anos! 800!

Imaginem quantas espécies interessantes que já não existiram ali e foram extintas??

Existe uma equipe, uma galera da limnologia aqui da Universidade que desenvolve um projeto de pesquisa nos rios (streams) dessa área. 

Por falar em libélula, vocês sabiam que esse inseto, da Classe ODONATA, quando está no estádio (é estádio mesmo, não é de futebol, mas é o nome técnico dado aos estágios fisiológicos que uma espécie passa) de larva é um dos piores predadores do ambiente aquático? A larva é feinha que dói, mas é grandona e bem maior que os outros insetos pequenos que frequentam o ambiente aquático. Ela pode até ser feia (quando criança) e predadora, mas eu não posso deixar de exaltar a importância ecológica dessa amiguinha. Os predadores a primeira vista são assustadores, mas se analisarmos de uma maneira mais holística, mais ligado ao processo como um todo, poderemos perceber que os predadores são na verdade como lixeiros, ou seja, a ação deles, equilibra o tamanho das populações por exemplo. No caso da predação feita pelas larvas de Odonata, ou libélulas, elas estão impedindo que o ambiente fique sobrecarregado, superlotado de pequeniníssimos crustráceos, mosquinhas e até girinos!

A libélula adulta é bem linda, mas a larva.... Vejam que horrorosa (mas não sem importância)

Parece uma cigarrinha, né?
Mas sabem outra coisa legal sobre elas? A aerodinâmica. Eu acho impossível observar libélulas sem compará-las a pequenos helicópteros! Acho muito parecido. Parece que elas foram especialmente desenhadas para isso. Dorsalmente, libélulas possuem dois pares de asas. O que faz ela voar rápido e ter um ótimo desempenho áereo, é que os dois pares de asas delas se movimentam independentemente e ela controla isso. Num primeiro momento ela bate um par de asas, num outro, outro. (par).

Em 2008 apresentei um seminário só sobre libélulas. Pra buscar referência pra esse trabalho, descobri, na internet, um banco de dados inglês que tráz informações sobre boa parte das espécies de libelulas existentes no mundo. Lá, na Inglaterra, os caras tem um museu só de libélulas! Esse é o endereço do web site do museu britânico das libélulas  http://www.dragonflysoc.org.uk/. Tem um banco de imagens maravilhoso!


Essa Serra aí ao lado dessas casinhas históricas é onde originalmente existe um Santuário das Libélulas Felizes. As propostas de criação e manutenção de uma Unidade de Conservação são muito boas. Mas estão só no papel.

Infelizmente, essa beleza toda vem sendo substituída por farofeiros, tarados, adeptos de um piscinão de Ramos, animais mortos, restos de churrascos e muito lixo...!


Agora, está rolando um movimento pela federalização da Serra de São José. Infelizmente, todo o sistema de governo brasileiro ainda é meio podre. É que mais uma vez ,na História da criação de Unidades de Conservação, o governo vem, cheio de propostas "pseudoconservacionistas", desapropria uma porção de gente, não paga pelas terras de ninguém e sequer instala uma Unidade de Conservação decente! Tá parecendo que o governo do Estado não está dando conta do recado, então quem sabe se federalizar a coisa não melhora, já que agora existe no MMA (Ministério do Meio Ambiente) uma subdivisão, conhecida por Insituto Chico Mendes que cuida exclusivamente das Unidades de Conservação? Depois da criação do Instituto Chico Mendes a coisa melhorou e muito nas UCs Brasil afora!

É isso aí, a pressão popular tem rolado, vamos pressionar um pouco e ver o resultado. Pela Serra de São José, que não pode mais suportar as agressões que estão fazendo com ela!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

TIME IS AN ILUSION, BABY...

"Time is an illusion baby
I am on your side
Love is a confusion baby
You'll never hide
Come to the conclusion baby
Your love has died
Time is an illusion baby "

Já dizia essa velha canção lado B, chamada "Pathetic Senses"completamente de garagem (pois acho que quase ninguém conhece), dos irlandeses The Cranberries. Parece que a Dolores O'riordan estava certa. O tempo é realmente uma ilusão. Pelo menos é isso o que agora os físicos estão descobrindo.

Apesar de que absolutamente tudo na vida parece ter uma relação com o tempo e essa relação se dá de uma forma linear, ou seja de trás pra frente, como sugere o modelo newtoniano das leis da física, o que entendemos como tempo, na verdade não passa disso: uma relação de algo com outro algo.

Parece complicado e realmente o é. Pelas novas leis da física, conhecidas também por física quântica ou mecânica quântica, o tempo é totalmente relativo. É uma criação humana, que serve só pra gente não enlouquecer, segundo alguns autores.

Lembram daquelas velhas máximas de doutrinas diversas que sempre diziam " Viva o presente, aproveite o presente..." Mais uma vez, os velhos estavam corretos:  Ou quase corretos.  As equações da nova física  não nos dizem que eventos estão acontecendo agora - elas são como um "mapa" mas sem uma referência do tipo "Você está aqui!" O momento presente não existe dentro dessas equações e portanto também não existe um fluxo do tempo.  Além disso, Einstein postulou, na Teoria da Relatividade, que não há presente  especiais, mas momentos igualmente reais. Fundamentalmente, o futuro não é mais aberto que o passado.

É uma loucura. Muitos físicos convencionais estão relutantes contra novas descobertas do campo da física quântica. Essa nova forma de pensar, com um tempo que não existe e com um campo infinito e estático onde imaginávamos uma linha reta, permite com que imaginemos algumas proezas: se o tempo não existe e tudo é o que sempre foi, passado, presente e futuro estão a nossa disposição para serem acessados.

Isaac Newton imaginou um conceito de tempo que até algum tempo atrás respondia muitas questões da física. Acontece que o tempo newtoniano é descrito como algo reto linear como uma sequencia de eventos contínua com uma "seta" indicando o futuro. Desde o ínício do século que alguns pesquisadores da área da física perceberam que a coisa não era assim tão simples. E que nunca houve um "relógio universal" que determinasse o sentido das coisas no universo.

Carlo Roveli, da Universidade do Mediterrâneo em Marselha, França tem uma tese intitulada "Esqueça o tempo". Ele e um físico inglês chamado Julian Barbour tentam reescrever a mecânica quântica sem o tempo, conforme a relatividade geral parece requerer.

Bem, não vou entrar em muitos detalhes, até porque tem muita discussão sobre esse assunto e confesso que não estou entendendo muito. Mas é fato: o tempo acabou. (Se é que ele já existiu!)

Adaptado da Scientific American Brasil - Julho  2010

RED MOSQUITO: Eu, a revista Planeta, o James Lovelock e a Teoria...

RED MOSQUITO: Eu, a revista Planeta, o James Lovelock e a Teoria...: "'A Terra é nossa MãeDevemos cuidar delaUnidos minha gente somos Um'(Canção popular que cantamos numa peça de educação ambiental em São Thomé..."

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Eu mirmecocorizo, tu mirmecocoriza, Elas mirmecocorizam...


Eu não, mas as formigas sim.

Mirmecocoria é o nome dado para um processo de dispersão de sementes feito por formigas. A dispersão de sementes é um fenômeno (principalmente a dispersão feita por formigas ou mirmecocoria) ainda pouco compreendido dentro da Ecologia. Dispersão significa levar a semente para um outro lugar, mais distante da planta mãe, (que gera sombra e muitas vezes atrapalha o crescimento da espécie vegetal) um lugar mais seguro com mais disponibilidade de luz e água, longe de predadores (geralmente pequenos roedores e besouros, que adoram comer sementes novinhas).

A transmissão de genes ao longo de gerações (seja em plantas ou em animais) é um 'fenômeno-chave" dentro da história da vida. Alguns autores consideram inclusive que esse é o objetivo-mor, a razão principal da vida: a transmissão de genes. Existe até uma definição de espécie (que não me agrada nem um pouco) que diz que as espécies são um "reservatório genético intermediário"... Acho que a vida é um pouco mais do que isso, mas enfim, o fato é que muito do que se observa na natureza, muitos processos adaptativos e muitos tipos de comportamentos observados nas espécies animais e vegetais são explicados como uma forma, digamos, de "garantir o lugar" daquela espécie no planeta. Tudo é em função da transmissão desse "patrimônio genético" para frente, pro futuro!

O estudo da dispersão é importante porque é uma estratégia evolutiva das plantas, ou seja é dessa forma, através da dispersão, que elas conseguem "marcar seu território" e deixar seu patrimônio genético sobreviver ao longo dos diferentes lugares e épocas. O Richard Dawkins diz que não tem nada de fenomenal nisso são apenas mecanismos de coadaptação, mas não estou nem aí pra ele, acho bonito e fenomenal pra caramba! Ao longo do tempo, as espécies foram se transformando e ganhando adaptações para atrair esses dispersores. Existem vários tipos de dispersores: pássaros, insetos, a água, o vento, mas vou focar aqui apenas nas formigas.

A estratégia evolutiva das plantas para atrair formiguinhas que carregassem suas sementes, foi o desenvolvimento de uma espécie de bônus para aquelas formigas que levassem as sementes. Esse bônus é chamado também de arilo ou elaiossomo, uma proteção lipídica (ou gordurosa) ao redor das sementes. O mecanismo funciona de forma mutualística, ou seja, como uma troca: A planta é dispersada e tem sua sobrevivência garantida e as formigas ganham um alimento extra, a camada protetora lipídica, que serve para alimentar as larvas.

Essa justa troca parece ter dado certo no jogo da Evolução. Estima-se que 11.000 espécies vegetais utilizam dessa estratégia para dispersar suas sementes! Esse número representa 4.5 % de todas as espécies vegetais, distribuídos em 334 gêneros, em 77 famílias diferentes! É planta pra caramba, sobrevivendo com apoio das formigas! Membros de algumas famílias botânicas populares, como asteráceas, bromeliáceas e euforbiáceas (ex.mamona), utilizam a estratégia evolutiva da Síndrome de dispersão mirmecocórica.

Dentre as espécies de formigas que realizam essa tarefa podemos citar ( A identificação não está muito precisa, porque os artigos geralmente expõem só os gêneros que realizam a síndrome e não a espécie específica, e isso confunde um pouco):

Formica rufa, ou formiga saúva;


Acromyrmex subterraneus subterraneus, uma pequenininha clara, com 4 espinhos dorsais da família Formicidae. Conhecida como quenquén.
Atta sexdens rubropilosa, Essa tem 3 espinhos dorsais, e é um tipo de formiga cortadeira. Adora uma folha de laranjeira e é conhecida também como saúva.

Ectatomma edentatum - É uma pretinha comprida, bastante comum da família Formicidae.

Pachycondyla sp. - Parece nome de sultão, Paquistão, sei lá, mas trata-se na verdade de um indivíduo da subfamília Poneriine, feinha pra caramba.

Pheidole sp. - Pertencem à família Formicidae

Camponotus rufipes - Essa é uma formiga ruiva e noturna que gosta de atacar colméias e realiza síndrome de dispersão mirmecocórica!


Dentre outras espécies.
Escrevi um projetinho de iniciação científica sobre essa síndrome de dispersão. Meu trabalho agora é identificar, conhecer a fundo as espécies vegetais e de formigas que realizam esse trabalho. Além disso preciso comprovar uma hipótese que os teóricos chamam de “Hipótese da Fuga do Predador”. Essa hipótese diz, em suma, que o fato das formigas dispersarem as sementes de alguns vegetais, é uma estratégia certeira de fuga e proteção contra os predadores naturais dessas sementes (besouros e roedores). Parece que ninguém conseguiu medir alguns dados (como taxas de remoção das sementes, por exemplo) que comprovem que a mirmecocoria faz realmente diferença na proteção das sementes contra os predadores.

Para testar a veracidade dessa hipótese, imaginei a demarcação de dois transectos (em ecologia é uma área previamente determinada, as vezes imaginária), com espécies vegetais com síndrome de dispersão mirmecocórica. Em uma das áreas haveria “livre acesso” às formigas e na outra eu teria que dar um jeito de isolar as plantas das formigas. A utilização de iscas (venenos) é recomendada para esse tipo de experimento, mas não sei até que ponto é confiável e até que ponto não é muito impactante! Seria preciso também contar e demarcar as sementes das duas áreas. Então depois de algum tempo eu teria que contar tudo de novo, observando qual foi a diferença entre o ambiente com formigas e o sem formigas. Quais seriam as taxas de remoção observadas nas duas áreas? E de germinação? As sementes ficariam intactas na ausência de formigas ou seriam facilmente devoradas pelos predadores? A ausência das formigas daria espaço para os besouros e roedores fazerem a “Festa das sementes gostosas?”

São questões que preciso responder. Tenho buscado pelo menos observar as espécies que utilizam essa síndrome como estratégia de dispersão, mas o que dificulta é que não tenho tido muita convivência com qualquer uma dessas espécies e uma observação desse tipo demanda um certo tempo e dedicação. Mas enfim, aos poucos vou fazendo, uma hora chego às minhas conclusões!

Valeu formigas!@

ADENDO: Galera, minha pesquisa na Universidade é sobre esse assunto, e eu acabo de saber que tirei 9,0 na segunda etapa do processo de iniciação científica! Um peso a menos. Empolgado com a novidade, fui buscar mais coisas recentes sobre mirmecocoria e até encontrei um início de resposta pra minha pergunta sobre se as formigas são realmente eficientes na defesa contra predadores de sementes.

Elas são. Surpreendentemente, os cientistas observaram que a maioria das sementes que são dispersadas por formigas, após terem seus elaiossomos ( a camadinha lipídica que a formiga fatura) removidos, as formigas, olha que show! instintivamente levam o resto dessa semente para um lugar onde exista um solo fértil, de uma maneira que a semente tenha sua germinação facilitada e garantida!

Essa natureza é muito perfeita meu Deus!

FONTE: Szabolcs Lengyel (et al) CONVERGENT EVOLUTION OF SEED DISPERSION BY ANTS, AND PHYLOGENY AND BIOGEOGRAPHY IN FLOWERING PLANTS: A GLOBAL SURVEY;
Ethel Fernandes de Oliveira Peternelli2 ESPÉCIES DE FORMIGAS QUE INTERAGEM  COM AS SEMENTES DE Mabea fistulifera Mart. (EUPHORBIACEAE)

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Divã

Parece que alguém votou em indicações de filmes na barra de pesquisas do blog (e acho que fui eu mesmo, testando o negócio...), então resolvi indicar mais um filme bacana que assisti nesse final de semana.

Um divã em Nova York é uma comédia inteligente que conta a história de um psicanalista que está estressado e resolve tirar umas férias. Ele mora em Nova York, mas resolve trocar, por uns tempos, de apartamento com uma pessoa da França. A francesa que toma emprestado o apartamento novaiorquino do psicanalista, começa, meio que por acidente a atender os pacientes. E para surpresa de todos, de forma muito simples, só escutando e falando "hmm-hmm", a moça consegue curar a maioria dos pacientes! Ela tem tanto sucesso nos seus atendimentos que a notícia acaba indo parar nos ouvidos do psicanalista, que se disfarça de paciente e vai investigar os métodos da moça que o substituiu.

Além de render algumas boas risadas, o filme mostrou também que vários problemas na vida podem ser solucionados de uma maneira muito mais simples do que imaginamos, bastar estar aberto e perceptivo!


Artificializaram o natural!

Todos já devem ter ouvido pelo menos uma notícia rápida sobre a nova façanha da ciência: vida artificial.

Mas como é que fizeram isso e como foi possível?

Os méritos dessa novidade são atribuídos ao pesquisador norte-americano Craig Venter, que vem tentando desenvolver um genoma sintético a pelo menos 15 anos. Ainda não descobri a formação exata do Venter, não sei se ele é biólogo, bioquímico, geneticista. Mas o fato, é que o cara conseguiu desenvolver um software que imita o DNA. Um DNA construído em computador. Depois de quinze anos tentando, ele com certeza adquiriu algumas habilidades nessa tarefa de construir um DNA. Esse DNA recém sintetizado (e não é um sintetizado natural, como outros processos de síntese que temos em biologia...) tem até algumas coisas a mais gravadas, umas passagens da bíblia. Uma vez que o software do DNA estava pronto, Venter e sua equipe "imprimiu" o DNA sintético numa bactéria viva de verdade, e então a natureza se encarregou em continuar o serviço. A bactéria se reproduziu e reproduziu o DNA sintético com ela.

A descoberta, sem sombra de dúvida é surpreendente, mas o que intriga é a falta de previsão do que essa nova forma de vida poderá fazer. Como se comportará uma vida artificial ao ser lançada no meio ambiente?
Ninguém sabe a resposta exata para essa questão mas é certo que haveria alguma especie de desequilíbrio ambiental

Por precaução, os cientistas afirmam que as bactérias sintéticas ficarão confinadas a ambientes controlados, laboratórios.

A idéia é detectar gens que façam as bactérias de vida artificial produzir combustíveis e remédios. Existem projetos também de criação de bactérias que reduziriam a emissão de gases causadores de efeito estufa.

A Revista Scientific American desse mês afirmou que a descoberta da vida artificial é uma das decobertas recentes que transformará radicalmente nosso modo de viver. Agora é esperar pra ver!

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Da série: "Lugares em que vivi" - São João del Rey (parte II)

Depois de nascer e crescer no Planalto Central e de ter andado por alguns lugares do Brasil, resolvi, há dois anos que terminaria minha faculdade e então descobri essa cidade história da região dos Campos das Vertentes, onde agora moro.

É difícil. Eu costumo dizer que é uma relação intensa de amor e ódio. São João del Rey é uma cidade que pode te cativar, te fazer ficar apaixonado pelas ruas históricas e pelas pessoas e cultura locais. Mas também pode te matar de raiva. Vou listar alguns pontos que considero positivos e negativos na cidade. Vou começar pelos positivos pra não falarem que sou pessimista demais

PONTOS POSITIVOS:

Cultura - São João é uma cidade que consegue se destacar das demais pela cultura que rola por aqui. Na primeira vez que vim conhecer a cidade, fiquei hospedado na república dos amigos Tapuias. Logo na primeira noite, me apresentaram um vídeo super alternativo com canções da Tropicália. O Caetano Veloso ainda teen e o Raul Seixas numa performance nunca antes vista por mim. Existe aqui um Teatro Municipal, histórico, chique pra caramba, onde rolam várias apresentações, performances, shows, peças. A cidade respira cultura, é uma das suas marcas fortes, foi até considerada Capital Brasileira da Cultura pelo Ministério em 2007. É comum ver galeras super inteligentes, discutindo livros e teorias. Isso é bom.

Música - É também muito marcante e uma característica positiva da cidade. Existe uma música rural, mineira, com temas campestres, mas que é muito diferente da música rural de Goiás, que são porcarias. A musicalidade mineira é muito bela. A semana passada fui visitar o  conservatório, a escola de música do Estado. É muito surreal pra mim, você vai passando pelas salas e então corais vão saindo de dentro de cada uma. Instrumentos musicais os mais inusitados podem ser vistos ali. É uma coisa meio parecida com a escola do Harry Potter, meio mágica, são várias pessoas se musicalizando ao mesmo tempo, é realmente muito legal! E a grande maioria das pessoas tem uma boa cultura musical, isso alivia a cabeça!

Universidade Federal - É o que move a cidade. A Universidade tem se expandido, abriga agora sete campi em três ou quatro cidades. Eu vivo metendo o pau na falta de estrutura ou de zelo com muita coisa que observo aqui dentro. Mas ao mesmo tempo confesso que eu adoro a Universidade. A biblioteca, o movimento militante estudantil, alguns professores que conseguem desenvolver um bom trabalho, junto aos seus alunos e junto à comunidade. Acho um barato essa coisa de ter acesso à ciência de ponta.

Pessoas - Não são muitas, mas existem algumas pessoas bem especiais por aqui. Pessoas inteligentes e as vezes simples, que se mostram preocupadas, mas sem querer controlar. Algumas pessoas realmente valem a pena.

Centro Histórico - É bem bonito. Existem sete igrejas barrocas lindíssimas no centro da cidade e algumas lendas que envolvem essas construções do século XVII. Dizem as lendas que existe uma rede subterrânea de túneias que interligam as igrejas. Sempre gostei desse tipo de coisa!

Agora os
PONTOS NEGATIVOS

SUJEIRA - Parece uma mistura do centro do Rio com alguns lugares escrotos de São Paulo somados e compactados num único lugar. É foda. A cidade tem um estrangulamento de tudo no Centro Histórico. Bastea ter um final de semana ou feriado que lota de gente, de lixo, de carros, de água poluída, de panfletaiada jogada pelas ruas.  Esse é um dos aspectos mais tristes, a meu ver, aqui em São João, porque a gente percebe que FOI um lugar lindo, mas o impacto da ocupação urbana se faz muito presente. No centro da cidade existe um rio canalizado que vez ou outra entope e causa uma enchente na cidade. È triste, mas mais triste ainda foi descobrir que o órgão municipal responsável pelo saneamento já foi informado, há mais de vinte anos que não se poderia jogar esgoto no canal citado, e é exatamente o que eles fazem até hoje. É podre o lugar!

ENCANAMENTO - A cidade é toda do século XVII! Morei em três casas até agora e todas (sem contar as várias pessoas que já se queixaram comigo sobre esse problema ) todas tem problemas com encanamento. Sempre há um cano estourado e uma águinha sendo desperdiçada em alguma esquina de São João.´Sempre falta água. Outro dia eu brinquei que a cidade era uma cidade do futuro. Aqui a guerra por água já começou. Isso me deixa muito mal.

POLÍTICA  - Brasília, que é a capital brasileira tem mais pensadores livres do que aqui. Tudo fede a política, e daquelas bem mal feitas, com chantagens, ameaças, compra de votos, puxações de saco.... Muita coisa é atrapalhada por conta desse feeling político que existe aqui. Um saco!

PESSOAS - Ao mesmo tempo que existem aquelas maravilhosas, existem também umas tantas que não valem nada a pena. Tem sido difícil encontrar pessoas realmente confiáveis, existe ainda muita poluição mental, muito jogo de interesses, muita traição... Infelizmente.

DROGAS E MOVIMENTO GLS  - Nada contra. Mas tem horas que vulgarizam tudo e exageram nas doses. Isso reflete numa cidade feia, pobre, abandonada... E em pessoas com a mentalidade tão suja quanto as ruas.

CARROS - É outro ponto fooda! O trânsito é super mal organizado e os motoristas super mal educados. Eu fui atropelado noutro dia desses! Tava andando de bike, o cara parado num cruzamento, eu fui passar ele acelerou e bateu na minha bicicleta! Eu sei que eu sou meio bobão, mas nesse dia esse cara não tinha razão. É tradicional a falta de educação no trânsito do povo mineiro. Teve uma vez também que eu estava andando em Santa Cruz, que é uma microcidadezinha colada em São joão, um bairro praticamente quando vi um homem alucinado atropelar um menino de uns doze anos que cruzou de bicicleta na sua frente. O homem tava meio na contra mão, mas mesmo assim desceu do carro e começou a xingar o molequinho que ficou caído lá chorando. Me baixou um justiceiro, comecei a brigar com o cara, perguntei se ele não tinha vergonha na cara e se não iria levar a criança para um hospital. Meio que inspirei os vizinhos que também viram a cena, e começaram a ir fechando o cerco desse homem até que ele resolveu levar o garoto no hospital. Escroto demais.

SAÚDE - Se você precisar de atendimento médico gratuito aqui, você precisa ficar no mínimo 12 horas de madrugada, numa fila pra tentar AGENDAR uma consulta. Se for velhinho 15 ou 16 horas no mínimo. Ironias a parte, é um problema muito escroto, muito feio e muito sério. As pessoas são massacradas, humilhadas, mal-tratadas. Não tem cabimento e não tem noção. Eu achava que o Sudeste fosse a região mais desenvolvida do país, mas eu estava enganado.



Bem, tirando os pontos negativos acho que tem sido uma boa experiência São João!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Eu, a revista Planeta, o James Lovelock e a Teoria de Gaia - Haverá salvação para algum de nós?

"A Terra é nossa Mãe
Devemos cuidar dela
Unidos minha gente somos Um"
(Canção popular que cantamos numa peça de educação ambiental em São Thomé!)

A revista planeta é uma revista pseudomísticocientífica que fazia o maior sucesso na década de 70 e agora é meio esquecida pelo público geral. Haviam pilhas e pilhas de "Planeta" na casa da minha mãe, que foi uma colecionadora nos tempos áureos da publicação. Quando eu tinha uns 12 anos de idade ficava deitado lendo nas revistas da minha mãe matérias do tipo " Descoberto Médium Voador na Alemanha"; "OVNI avistado no interior de Minas Gerais"; " Garotinhas irlandensas fotografam fadas de verdade" (parece anúncio de pornografia, mas eles mostravam umas fotos cheias de fuligem e umas setas indicando as "fadas"), e por aí vai. Nessa semana enquanto ia almoçar, vi a veterana Revista Planeta exposta nas bancas com uma matéria sobre sustentabilidade (!) na capa. Comprei uma, pra ver sobre o que eles estavam falando e pra matar a saudade dos casos fantásticos trazidos pela revista.  Agora , os textos deles estão vindo numa linha mais  do tipo "Somos cientistas sérios!", com matérias fundamentadas por autoridades científicas e que tratavam de assuntos como a Teoria de Gaia, Paleontologia, Mudanças Climáticas. De uma revista mística ela passou a revista científica, não sei se foi do dia pra noite e não sei qual das duas linhas editoriais é pior!

Reduzido a mais uma atração fantástica, está na matéria de capa da Planeta desse mês, o célebre criador da Teoria de Gaia, um simpático senhor que nós estudantes de Biologia conhecemos muito bem, pois ele é citado num dos livros texto que utilizamos no curso : Ecologia Básica de E. Odum. Estou falando de ninguém mais ninguém menos que James Lovelock.

Apesar de ser uma celebridade no mundo das ciências ambientais, o velhinho é a simpatia em pessoa, contrariando tantas outras autoridades científicas chatas e carrancudas que temos que engolir academia afora. Mas acho que estou passando um pouco o carro na frente dos bois, deixem-me explicar a Teoria e o porquê dela ser criticada pela comunidade científica.

Concebida e aceita em 1979, com a publicação do livro "A TERRA É UM SER VIVO - A hipótese de Gaia", a hipótese de Gaia, basicamente, diz que o planeta, como um todo é um ser vivo.  Há todo um romantismo envolvido com essa hipótese, mas a despeito disso James Lovelock é um médico e biofísico por formação, um homem que concebeu vários aparelhos engenhosos. A hipótese parece ser mais uma "viagem legal" condizente com a Revista Planeta, mas na verdade é algo bem mais sério e complexo do que isso.  Lovelock começou a formular esse teoria 40 anos atrás, quando a NASA o procurou com interesse em utilizar um dos aparelhos criados por ele. Era um aparelho que detectava substâncias a uma concentração muito baixa, por meio do método da cromatografia gasosa. A NASA estava desenvolvendo um programa de pesquisas em Marte e então contratou o Lovelock para adaptar sua invenção à parafernália de exploração espacial da NASA.

Figura que é, logo que chegou na NASA, Lovelock disse para os seus chefes que a idéia que eles estavam tendo era simplesmente ridícula. A galera estava partindo do preceito que as formas de vida marcianas seriam iguais àquelas do deserto da Califórnia! Os biólogos da NASA, que estavam tocando essa idéia estúpida ficaram putíssimos com o Lovelock  e deram com a língua nos dentes: logo o Lovelock foi chamado por seu diretor, que lhe deu a maior bronca e pediu a Lovelock que lhe levasse uma "proposta construtiva".

Apertado pela chefia, James Lovelock passou então três noites em claro, pensando em que solução poderia arranjar para a melhoria da missão de exploração a Marte. Então ele teve uma luz: audaciosamente, defendeu a idéia de que ao desvendarmos a composição química da atmosfera marciana pela análise da luz vinda daquele planeta, poderíamos talvez perceber se essa atmosfera carrega a marca de seres que nela colhem nutrientes e lançam dejetos. A proposta que Lovelock fez a NASA, foi de que eles acoplassem um espectrofotômetro a um telescópio, observassem a atmosfera marciana e colhessem informações a partir dessa observações. As impressões da luz no espectrofotômetro daria pistas da existência ou não de vida naquela atmosfera.
(Explicaldir Neto explica: espectrofotômetro é um aparelho que, basicamente, analisa a incidência de luz sobre determinada amostra. Existem vários modelos, uns cacarecos, outro ultramodernos. O espectrofotômetro mede valores que chamamos de reflectância e/ou absorbância. Tipo assim: dada uma amostra com uma solução qualquer e um raio de luz incidente sobre essa amostra os valores de absorbância detectariam o quanto essa solução absorveu da luz, e os valores de reflectância, que são inversamente proporcionais aos da absorbância, detectariam o quanto de luz restante foi refletido. Vixi. Clareou ou piorou?)

Os caras da NASA ficaram então ainda mais putos e despediram o Lovelock! Um maluco beleza lá de São Thomé das Letras tem uma canção que é assim : "Quebra tudo e chama NASA! Quebra tudo e chama a NASA!" Depois dessa poderia ser Chame todos e quebre a NASA!

Mas voltando à trajetória do Lovelock e à Teoria. O cara foi despedido, mas não desistiu de seus planos e descobertas. A idéia de observar a atmosfera marciana em busca de sinais de vida alienígena, rendeu algumas publicações na revista Nature e foi o ínicio da principal teoria elaborada por esse pesquisador.  Essas publicações na revista Nature traziam resultados de dois anos de observações da atmosfera marciana. Lovelock se baseava na segunda lei da termodinâmica, conhecida por nós estudantes de Ecologia, que é a lei que diz que o universo está sempre orientado em sentido do caos, lei da entropia. Sabendo que tudo no universo se move mesmo é em direção ao caos, Lovelock estranhou as análises da atmosfera marciana onde existia um equilíbrio químico e dominado em 95% pelo dióxido de carbono, uma molécula rara, pois na Terra esses dados se comportavam de maneira muito diferente. "Na nossa atmosfera o dióxido de carbono é raro. Aqui, porém, encontramos oxigênio em abundância, que coexiste com o metano e outras substâncias muito reativas". Lovelock concluiu então que é a vida que renova sem cessar todas as moléculas da atmosfera e afasta a Terra do equilíbrio químico visto em Marte e Vênus. Esses dois planetas, portanto, estão mortos, enquanto a Terra (opa!) está viva!

Esse foi o ponta pé inicial da Teoria. A partir disso, várias analogias começaram a ser feitas, primeiro por Lovelock e depois por outros teóricos. Por exemplo,  a atmosfera terrestre de composição química tão distante do equilíbrio permaneceu notavelmente estável ao longo das eras. Um pouco como o sangue de um ser vivo. Isso se observa também na temperatura (infelizmente, afetada pelos vírus da Terra, os humanos, como eles falavam no filme Matrix): à escala de centenas de milhões de anos, ela exibe uma surpreendente estabilidade. A radiação solar aumentou em um terço, desde o nascimento da Terra, e essa propriedade é comparada à propriedade dos seres vivos de manterem a temperatura interna constante, homeotermia.

E chegamos agora a parte mais interessante (e controversa) da teoria. Lovelock constata que tanto a temperatura quanto a composição química da Terra tendem a valores quase ótimos para a criatura viva - como se o objetivo do sistema fosse favorecer a vida.  De fato, uma atmosfera com duas vezes mais oxigênio causaria incêndios incessantes, enquanto o oxigênio mais rarefeito traria sérias complicações metabólicas aos seres vivos.  Para Lovelock, a Terra é uma espécie em simbiose (uma associação biológica favorável a todas as partes que a compõem) gigante entre todos os seres vivos e o meio mineral, um superorganismo que se conserva no estado mais favorável possível à vida por meio de mecanismos de retroação.

Eu li o último livro do Lovelock, chamado A vingança de Gaia. Nesse livro, ele explica que a Terra é viva sim, está ameaçada e é muito, mas muito mais forte do que nós seres humanos.  Esse livro é um pouco assustador, o Lovelock tá meio terrorista (ou realista?) nele, diz que já não tem mais muita esperança para a espécie humana, que a água vai acabar mesmo... Um dos pontos mais polêmicos desse livro é quando ele fala sobre as fontes de energia que deverão ser utilizadas pelas gerações futuras. Muito controversamente, ele defende a energia nuclear! Apesar de muito perigosa, se for extremamente bem feita, uma usina movida a energia nuclear seria o mais limpo tipo de energia. Eu não me lembro se ele fala sobre páineis solares, ah, lembrei, ele diz que é muito caro (!?). O pessoal da revista perguntou para o Lovelock: " Gaia está em perigo" e a resposta foi: " Gaia precisamente, não!" " Mas se o aumento da temperatura que prevejo, de 6 a 8 graus centígrados, se produzir, a civilização poderá ser ameaçada: termos uma extinção em massa de espécies e a agricultura se tornará impossível em boa parte da superfície do planeta. O alimento será insuficiente, haverá migrações de populações inteiras, conflitos, a humanidade se concentrará ao redor das regiões polares..."

Apocalíptico o negócio.

Numa das analogias que li na Teoria de Gaia, a humanidade é comparada ao sistema nervoso de Gaia. Bom, nisso discordo um pouco. Ou então diria que se é assim, Gaia é uma menina, no mínimo masoquista. Mas enfim....

A Teoria de Gaia é bem aceita na comunidade científica. Mas recebe algumas críticas, como a que eu fiz no início do post, por ser um nome meio "romântico". Segundo Lovelock a Teoria teria sido muito menos criticada se se chamasse apenas Teoria Biogeoquímica.

Mas se fosse assim ela seria um pouco mais chata! Bem, espero sinceramente que o Lovelock esteja errado com suas previsões terroristas e que nós, seres humanos possamos aprender melhor como respeitar mais essa nossa mãe.

FONTE: Revista Planeta, Julho 2010 (com adaptações).


Bellotinho's Day

Sabem quando fico falando que tive os melhores amigos do mundo inteiro, que existem pessoas muito mas muito legais mesmo de quem eu tenho orgulho de ter convivido? Pois é, hoje é o dia do aniversário de uma dessas pessoas, a Danielle Bellotto. Ela é tão bacana que até me seguiu no blog. A primeira!

Ontem fiz uma brincadeira, descobri que há alguns meses atrás a empresa Marvel Comics lançou, a título de publicidade, o Dia X-Men. 8 de julho. Hoje. É claro que eles sabiam que esse era um dia de nascimento de super-heróinas então eles resolveram juntar tudo e comemorar tudo no mesmo dia.

Eu conheci a Danielle na quinta série do ensino fundamental, ex-ginásio. Há dezessete anos atrás... Nós temos os olhos e a cor meio parecidos, passamos tranquilamente por irmãos. Somos atores natos, então já passamos por umas boas aventuras nesses dezessete anos. Na quinta série, ela era a menina mais linda da escola. Todos nós, homens caíamos de paixão pela Danielle Bellotto, era impressionante! Eu era apaixonado por ela também, mas não queria admitir. Um dia xinguei ela, não me lembro por que. Coisa de moleque. Naquela época ela andava com um estojo mortífero, cheio de chumbo eu acho, e ela batia na nossa cabeça com esse estojo! Perdão Dani, mas essa história é muito clássica, eu tinha que contar. Acho que tem um galo na minha cabeça até hoje!

Fomos parceiros no teatro e na Ong, fizemos bastante coisa legal pra nós mesmos e pro público em geral, por assim dizer. As vezes a gente trabalhava as vezes só se divertia. Uma vez a gente pegou um grupo de crianças carentes e demos um monte de aulas de teatro pra elas, foi uma atividade ótima! Fazia bem pro nosso espírito e as crianças saiam satisfeitas, vibrantes!

Vou contar uma última história engraçada da Dani. (Nada comprometedor, relax babe). Em 1996 ou 97 fizemos uma peça de teatro, chamada V de Quê? A peça foi super bem produzida, ficou em cartaz umas duas semanas e é um xodó para todo mundo que participou. A peça trazia textos fortes, sobre a natureza humana e sobre a relação do homem com o meio ambiente e consigo mesmo enquanto espécie. Foi tão bom que alguns anos atrás publicamos uma revista só sobre essa peça e fizemos um reencontro de 10 anos do V de Que?. O terceiro ato dessa peça era uma cena onde meio que fazíamos papel de nós mesmos. Era o texto Os últimos super-heróis de um autor chamado Roberto Amado, escolhido por nosso diretor especialmente para nosso grupo de amigos. O texto era sobre um grupo de amigos inseparáveis na adolescencia, mas que com o amadurecimento são abatidos por algumas pequenas tragédias pessoais que os separam. "Tanta paixão poderia um dia acabar? Será que algum dia tudo seria perdido, nebuloso? Pensávamos que algum dia seríamos estranhos entre nós? Não, nós não pensávamos. (logo éramos burros!)" Bom, já estávamos apresentando a segunda semana da peça, se não me engano, quando num certo dia, peguei alguma virose e fui  apresentar a peça com uma baita duma diarréia! Acho que foi um dos maiores exercícios de ator que já fiz. Eu tava morrendo de dor mas tinha que rir espontâneamente na esquete! Foi difícil, mas havia um momento no final da cena, que a gente meio que podia falar o que quisesse e a Danielle apontou pra mim nesse momento, morrendo de rir e disse " Ele tá com caganeira!".... Acho que ela não sabia que ia dar pra escutar o comentário. Só que filmaram isso! Sei que anos depois eu fui assistir ao vídeo, todo mundo pequeno, cafooonas, e a Dani apontando pra mim e dizendo " Ele tá com caganeira!" Muito engraçado!

Dani Bell, muita saudade de você, desculpe se falei alguma coisa que você não queria. Amo-te demais e espero não só hoje, mas todos os dias da sua vida sejam repletos de alegrias, saúde, amor, paz e tudo mais de bom!


quarta-feira, 7 de julho de 2010

Fisiologia Vegetal - Eu quero uma pra sobreviver (parte II)

Bem, a prova é hoje e eu fiz essa blog aula duas vezes e o provedor do blog deu sumiço nela! Mas vamos lá novamente.

FOTOPERIODISMO-

É o período de exposição à luz necessário para a planta florescer. É característico de cada espécie. A planta orienta seus processos metabólicos a partir de um ritmo biológico endógeno. Cada planta precisa de um tempo de exposição a luz solar, próprio, para despertar certos processos metabólicos. Existem as plantas de dias longos que são aquelas que florescem geralmente no verão, ou a partir da exposição à luz por um número de horas acima de um valor crítico (8  a 12 horas de exposição), como a batata por exemplo; as plantas de dia curto que florescem com um tempo de exposição à luz abaixo de um valor crítico (6 horas de exposição em média), e temos o morango como um exemplo e as plantas neutras que são as tranquilas que florescem com qualquer quantidade de luz (ex. pepino e girassol). Dizemos que os ritmos biológicos são controlados por fatores endógenos, ou seja internos. Em alguns casos genéticos.  A tolerância à mudança de temperatura, por exemplo, tem como um de seus "comandantes" o gen ELF4  (Early Flowering 4). O ritmo biológico é comandado por fatores genéticos, endógenos, mas é desencadeados por fatores externos, ambientais.

Vocês sabem o que é Zeitgeber? É uma palavra alemã que quer dizer provedor do tempo. Em fisiologia, os Zeitgebers ou sincronizadores, são fatores externos, como a temperatura, o clima, as condições do solo, a disponibilidade de água, condições de umidade, etc; Esses fatores externos disparam processos metabólicos que ocorrem devido à interferência dos genes mas que precisam "de um toque" do ambiente externo para começarem a funcionar. Como no caso das plantas de dia longo ou curto, por exemplo, onde um fator externo (comprimento do dia) interage com um processo endógeno (programação genética prévia, ou a planta é do tipo que floresce em dias longos ou é do tipo que floresce em dias curtos, ou é neutra).

Fizeram vários experimentos para comprovar essas hipóteses. A conclusão a que eu cheguei é que as espécies vegetais são realmente dependentes de sua programação genética para expressarem seus ciclos metabólicos. Por exemplo, num dos experimentos os pesquisadores expuseram uma espécie de dia curto à luz por mais tempo do que ela era programada pra suportar. Resultado: a planta não floresceu, ela simplesmente não é programada para suportar exposição à luz por tanto tempo!

Os Fitocromos são pigmentos presentes nas folhas de todas as espécies vegetais e estão relacionados à absorção da luz nos espectros conhecidos como vermelho e vermelho distante ( a molécula do fitocromo tem algumas variações, cada uma absorve luz com um comprimento de onda característico). Essa absorção de luz vermelha e vermelha distante dispara os processos metabólicos de floração e germinação de sementes. Detectar o pigmento fotocromo em espécies vegetais foi a primeira utilização do espectrofotômetro, um aparelho que a gente ouve falar bastante em Biologia. Ele ocorre numa frequencia menor que a clorofila, mas apesar disso, está presente em todas as espécies.
Essa figura ilustra (meio mal, mas ilustra) as transformações químicas sofridas pelo pigmento fotocromo, na presença de um tipo de luz vermelha ele é de um jeito (Fv), já na presença de luz vermelha distante (com um comprimento de onda um pouco maior) ele se transforma num outro tipo de fitocromo, um Fitocromo Power, ou Fv1. Depois, no escuro, ele se "destransforma" e volta a ser Fv. O fitocromo ativado é o que induz à floração, algo assim, depois ele volta ao estado inicial pra poder ser usado de novo. Show, né?


FONTE: RAVEN, Biologia Vegetal

                                                                                                                

terça-feira, 6 de julho de 2010

Da série "Lugares onde vivi" - Chapada dos Veadeiros (parte I)

É óbvio que eu não perderia uma oportunidade de fazer propaganda da Chapada.
Bem, Planalto Central Brasileiro, foi lá que minha grande aventura pessoal começou. Me mudei para Alto Paraíso de Goiás aos quatro anos de idade, levado pela minha mãe, que fugia para lá em busca de paz interior e qualidade de vida. Alto Paraíso, como o nome sugere, e modéstia a parte é sim, um lugar mágico.

Desde o início da povoação do lugar histórias surpreendentes já eram ouvidas. Haviam os índios Avá Canoeiros, que conta a lenda, eram bravos guerreiros. E há também o curiosíssimo caso dos Kalungas, no município de Cavalcante. Uma comunidade quilombola que ficou isolada num vale chamado Vão das Almas, desde o seculo XVII até a década de 70. O lugar onde eles ficaram isolados é de uma beleza tão magnífica que simplesmente não dá pra descrever. É só pra quem viu, tocou, sentiu... Perfeição.

O lugar é tão incrível que fica situado no parelelo 14 o mesmo da também mágica Macchu Picchi (Mas em Alto Paraíso não há nenhuma caverna misteriosa que interliga os mundos, essa lenda contarei em outro post de lugares legais que conheci). O sonho que Dom Bosco teve, não lembro quando (que falta de orgulho pela minha terra), mas sei que foi há muito muito tempo atrás, onde ele previa a nova capital do Brasil, uma capital do terceiro milênio, aquele papo velho, descrevia na verdade, a região de Alto Paraíso. Mas, graças a existência das montanhas da Chapada, consideradas inúteis e horríveis naquela época, a construção da capital foi deslocada para 200 quilômetros mais ao sul! Antes dos anos oitenta a região onde fica a Chapada era chamada de Corredor da Miséria, pois era uma região que foi, felizmente, esquecida pelo desenvolvimento.

 Na década de 70 o estado de Goiás contava com um governador muito querido pelo povo, chamado Ary Valadão. Ary tinha um filho, Ary Filho que por ventura se elegeu prefeito do município de Alto Paraíso. Aryzinho foi um visionário. Numa época em que só existia poeira e miséria na região, ele já previa o que temos hoje lá na cidade: ecoturismo da melhor qualidade! Aryzinho começou então a executar um projeto muito bonito, chamado Projeto Alto Paraíso. Ele instalou infra-estrutura para a produção de frutas secas e construiu um aeroporto com capacidade para que se pousasse até um boeing! No meio do sertão de Goiás! Parece "causo" de lavagem de dinheiro, mas não era. Aryzinho era verdadeiramente um visionário, foi um político que verdadeiramente tinha boas intenções. Mas infelizmente uma tragédia se abateu sobre ele e ele veio a falecer em sua própria obra. Estavam testando a pista de pouso do novo aeroporto de Alto Paraíso e Aryzinho vinha de Goiânia quando encontrou complicações com a aterrisagem. O avião caiu ao aterrisar e começou a pegar fogo! Aryzinho tinha conseguido salvar a própria vida, mas um amigo dele ficou preso nas ferragens e ele então voltou para ajudá-lo. Uma explosão aconteceu e foram os dois pro céu.
Desde então, todo mundo que visita Alto Paraíso de Goiás encontra logo na entrada da cidade um monumento em homenagem a  esse herói local.  Quando criança eu ficava olhando para aquela estátua, tinha medo, pois é uma estátua que aponta para a cidade! Mas depois, ao conhecer a história o medo passou e a admiração surgiu! Bem, hoje o aeroporto ainda não funciona como numa grande cidade e o projeto de frutas secas não foi muito pra frente, mas existe uma grande diferença entre a cidade no tempo do Corredor da Miséria e hoje, quando podemos navegar na internet tranquilos, temos estrutura para receber muitos turistas, temos lojas legais, cafés, livrarias, festivais internacionais de música, grupos ecológicos.... Hoje existe uma estrutura muito melhor em Alto Paraíso de Goiás e quem começou isso tudo foi o Ary Valadão Filho, célebre Aryzinho!

Bom, depois vieram os anos 80 e com eles um novo projeto que foi transformando Alto Paraíso no que é hoje. Um projeto chamado "Rumo ao Sol".  Foi uma grande viagem coletiva de LSD, eu acho!!! Mas deixa eu explicar melhor, foi um movimento de comunidades alternativas que escolheu a cidade como um local sagrado onde gostariam de morar. Nessa década dezenas, senão centenas de comunidades alternativas descobriram as belezas do Planalto Central e resolveram se transferir para lá!  Vários amigos meus de infância são filhos desses malucos que peregrinaram país adentro rumo ao Planalto Central. Na nossa infância em Alto Paraíso o que rolava era muito banho de cachoeira, caminhada nas montanhas, brincadeira nas árvores! Poxa, muita coisa boa!

Eu costumo dizer que Alto Paraíso, apesar de ser uma cidade minúscula, não é nem de longe, uma cidade do interior. É que lá não tem político ou padre que manda na cidade, não tem fofocas e fofoqueira (os) que destróem a vida das pessoas, não tem ignorância ou violência ( pelo menos não em excesso). Lá é uma cidade pequena, mas de onde a gente tem acesso a tudo, eu trabalhei num lugar, por exemplo, onde tive que negociar a visitação de 200 ingleses ao Brasil. Foi muito bom, porque ao mesmo tempo que eu estava no Sertão do Goiás estava também em Londres (ou pelo menos em contato direto !)

Essa onda do Projeto Rumo ao Sol foi o que levou essa miscelânea cultural para Alto Paraíso. Foi o que levou também uma das características mais peculiares do lugar, a aura mística da cidade. Tudo tem um tom de mistério em Alto Paraíso, mas é um mistério bom, saudável. A cidade é cheia de templos, das mais diversas doutrinas. Tem o pessoal que segue o Rajneesh (é um guru indiano, com ensinamentos aliás muito úteis, conhecido também como Osho), tem o pessoal Hare Krishna, o pessoal Santo Daime, Saint Germaint, Umbanda, Fraternidade Branca, Grupo de Estudo de OVNIS e afins (essa sigla é por minha conta!), e tem também os convencionais católicos e evangélicos. E todo mundo vive numa boa, os diferentes tipos de doutrinas religiosas se acostumaram com a existencia uns dos outros, então é natural você na infância ter tido um colega crente convicto e ao reencontrá-lo anos depois o cara mudou de nome e está adando pela cidade com uma bata indiana, cheirando incenso e cantando mantras. O contrário também rola, muitos daqueles que chegaram nos anos oitenta com toda a indumetária mística hoje frequentam igrejas evangélicas! Vai entender.

A terceira onda cultural que invadiu Alto Paraíso de Goiás, e nessa eu estou bastante envolvido, se dá a partir do começo dos anos 90 e é a onda Ecológica. A gente percebeu que tinha um santuário raro na mão e então resolvemos nos movimentar para tomar conta do que é nosso. Em 93, juntamente com a turma, eu ajudava a fundar as bases do GAMA- o Grupo de Apoio ao Meio Ambiente. É uma OnG muito, mas muito especial mesmo. Foi uma grande escola pra todos os jovens envolvidos. Nós tínhamos um Espaço Cultural com sede própria, no auge de nossas atividades, administramos um espaço cultural, editavámos um jornal ecológico mensal, fazíamos peças ecológicas por todas escolas da cidade e da região, tínhamos uma rádio comunitária e vários projetos culturais. Muita educação ambiental envolvendo comunidades locais. Foi um trabalho para os jovens feito por jovens e foi onde eu aprendi muita, mas muita coisa legal e onde conheci algumas das pessoas que mais admiro e que mais me fazem bem nessa vida.

Bem, grande saudades de Alto Paraíso... É um lugar de paz, um lugar pra respirar. Pra ver o horizonte com uma profundidade que, perdão amigos, mas simplesmente não existe aqui no sudeste. Alto Paraíso é ver milhões de estrelas numa noite simples e acordar com tucanos na janela! É onde minha família tem moradia e onde pretendo, no futuro, construir minha casa e levar minha filha pra ficar comigo tomando banho de rio e curtindo as serras.

Fisiologia Vegetal - Eu quero uma pra sobreviver!

É, com esse cenário verde novo no blog, essa proposta de falar um pouco sobre ciências e a prova de fisiologia vegetal que tenho que fazer amanhã a noite martelando na minha cabeça, não se podia esperar outro resultado: vou falar um pouquinho sobre os movimentos das plantas, pra rever as idéias pra prova de amanhã.

A primeira coisa que temos de saber ao falar sobre movimento das plantas é o conceito de tropismo. Tropismo é isso mesmo, o movimento das plantas. Mas é um movimento direcionado, em direção a ou contra um certo estímulo. Ele é desencadeado por fatores endógenos, internos da plantas, gens com programações específicas e esse movimento é sempre mediado por fatores hormonais. Os tropismos seguem uma divisão celular baseada no tipo de estímulo que a planta segue para crescer. Por exemplo, o Fototropismo: É o crescimento do vegetal em relação (a favor ou contra) a luz disponível no seu ambiente.  O tropismo pode ser positivo, do bem, quando a planta cresce em direção ao estímulo externo. (Ex, plantas que crescem na direção da fonte de luz disponível) ou negativo, não necessariamente do mal, mas essa nomenclatura quer dizer que a planta tá fugindo da luz, crescendo no sentido do escuro.

Na real, isso tudo tá relacionado com a auxina, que é o hormônio vegetal responsável por alongamento celular, ou seja crescimento. A auxina fica viajando, deslizando de um lado pra outro no coleóptilo, que é a pontinha da planta nene, onde existem uma série de informações genéticas sobre aquela planta. A auxina fica viajando lá no coleóptilo, deslizando de onde tem luz para onde está escuro, e provocando o crescimento celular nesse trajeto próprio dela! Auxina...

Mas esqueci de falar dos outros tipos básicos de tropismo. O Gravitropísmo - Bem, meio óbvio. O desenvolvimento da planta é orientado em relação à gravidade! Raízes crescem pra baixo, dã, seguindo as Leis do Tio Isaac (Newton), num gravitropismo positivo e os caules crescem pra cima, num crescimento chamado de gravistropismo negativo. Seguindo a lei... sei lá, da Teoria da Tensão Coesão (mas ela é muito grande pra ficar entrando em detalhes....).

Os tipos de tropismo que as plantas apresentam (não, a espécie aí ao lado não é Cannabis sativa!), variam conforme a espécie. Sabendo disso, uns caras aí do século passado pegaram algumas espécies vegetais que têm gravitropismo e começaram a fazer uns experimentos muito loucos! Eles prenderam um vaso com uma planta (acho que era Arabdopsis sp, mas só acho!), numa bancada, de forma que ela ficasse posicionada horizontalmente. Fizeram essa sacanagem com a bichinha, só pra ver pra que lado que ela iria crescer. E não deu outra! Apesar de estar posicionada horizontalmente, a planta que tinha tropismo do tipo Gravitropismo, se contorceu toda e as raízes continuaram crescendo no sentido da gravidade e caules e folhas continuaram crescendo para cima! Os caras ficaram de cara! (rss) e foram investigar mais a fundo a causa de tamanha determinação em crescer conforme uma programação genética prévia que as plantas tinham! Foi então que eles descobriram que as plantas gravitrópicas possuem estatólitos! Pequenos pesinhos, dentro da célula que vão fazer que sempre, sempre (no caso das espécies genéticamente programadas pra serem gravitrópicas) independentemente da posição que a planta esteja, raízes vão crescer pra baixo, e caule e folhas pra cima! Esses pesinhos são grandes moléculas de amido, que precipitam na célula e seguem o sentido da gravidade! (Mas não me perguntem o que aconteceria se mandassem essas espécies pra lua!)

Outros tipos de movimentos importantes que eu não posso esquecer: Geotropismo (cara eu adoro esse prefixo Geo! Tem a ver com uma matéria legal, que é geografia, tem a ver com solos, tem a ver com meus signos zodiacais, e me lembra um superhéroi que eu adorava da DC comics que se chamava Geoforça. O cara provocava terremotos e voava num bloco de pedra!) - são os movimentos de cresimento vegetais orientados em direção ao solo. Geotropismo tchan tchan tchan tchan! É um outro nome pra Gravitropismo, é exatamente a mesma coisa, o mesmo fenômeno, as mesmas espécies!

Por último o Quimiotropismo que é um movimento vegetal orientado em direção a algum recurso mineral que esteja escasso. Pode ser um movimento em direção à água também!

O Tigmotropimo é um tipo de tropismo bem interessante. São aquelas plantas que precisam de um toque pra crescerem! SE TOCA PLANTA, Vê se cresce! - Tigmotropismo é observado em plantas que tem gavinhas, aqueles espiraizinhos vegetais que a gente vê nas curcubitáceas, ou seja, abóboras, chuchu, morango. Acontece uma coisa louca com a concentração de hormônios auxina nessas espécies! Elas tocam alguma coisa, um bicho ou uma superfície qualquer como um muro e então elas ficam.... digamos... excitadas e toda a concentração de auxina que estava naquele lado desaparece, por gradiente de concentração e vai para o outro lado, preencher outras células, alongando quem ela encontra pelo caminho, e é assim que elas vão se enrolando, enrolando, enrolando... Elas são super enroladas, essas espécies que tem tigmotropismo.


Os Nastismos são uns movimentos mais precisos e específicos de algumas espécies vegetais. Elas precisam de um estímulo externo pra acontecerem, tipo um toque, uma temperatura ideal, uma presa (presa? isso mesmo!), mas o movimento em si, não segue, necessariamente o sentido do estímulo nesses casos. Exemplos - fotonastismo, que é a abertura de flores em resposta à presença ou ausência de luz. Tigmonastismo, é o fechamento de folhas, como nas plantas carnívoras (insectívoras, na verdade) ou quando aquela dormideira fecha as folhas. Eu sempre curti a dormideira e era uma informação que estava bem na minha cara, muito simples, mas só essa semana eu percebi que ela é uma Mimosácea, uma família botânica que gosto bastante. Bem mimosa!

Bom, na base DESSAS folhinhas aí, ou folíolos para usar uma nomenclatura mais correta, existem umas pequenas estruturas, que sustentam os folíolos e são chamadas de pulvinos. Os pulvinos são como pequenas fechaduras, responsáveis pelo movimento de "abre-fecha" da Mimosa pudica. Esse tipo de movimento é explicado como sendo uma mudança súbita na pressão de turgor das células vegetais desses folíolos. O louco e curioso de se observar e debater isso é pensar que a partir de um toque qualquer toda ou quase toda a água que existe nas células vegetais se desloca, a célula praticamente murcha de um instante para outro! Isso é mudança na pressão de turgor: as folhas murcham de repente e por isso se fecham. O que me deixa de cara é observar o quanto isso acontece de forma rápida (e misteriosa!). E a culpa é do Fitocromo mas isso está no post Fisiologia Vegetal - Eu quero uma pra sobreviver (parte II)

Eu ainda preciso saber sobre Plantas de Dia Longo e Dia Curto, Floração e Fotoperiodismo, mas a coisa aqui começa a ficar um pouquinho mais complexa.... O post já está grandinho e eu pretendo manter a saúde mental dos meus amigos e leitores, portanto, continuamos na próxima blog-aula!

Beijos verdes!