terça-feira, 29 de março de 2011

Ecologia de Populações - OS GIGANTES PERDIDOS

Aids, o mamute pegou AIDS!!!


Pegou AIDS nada, coitado, pois o HIV nem existia há cerca de 13.000 anos, quando os mamutes se extinguiram. Membros de um grupo que habitou as Américas há mais de 15.000 anos atrás, junto com as preguiças e outros mamíferos gigantes, os mamutes, que são os acestrais dos elefantes, compunham um grupo conhecido por megafauna. Os mamutes eram bastante parecidos com os elefantes modernos, mas tinham o corpo recoberto por pelos, eram herbívoros e tinham um grande par de marfins.


Existem teorias controversas sobre o que ocasionou a extinção dessa espécie. Uma das teorias já faz uma associação ao ser humano, atuando na extinção de espécies desde de 13.000 anos atrás. Existe uma cidade mexicana chamada Clovis, onde foram encontrados artefatos e fósseis de homens das cavernas que, acredita-se, foram os primeiros habitantes das Américas.  Esses homens conhecidos por Povo de Clovis, vieram da Sibéria, atravessaram o estreito de Bering e desceram o continente, povoando toda a América. Alguns paleontólogos dataram os fósseis encontrados em Clovis e descobriram que estão ali, também há aproximadamente 13.000 anos e então supuseram que o povo de Clovis caçou os mamutes até a extinção ou os infectaram com alguma doença mortal (bem que falaram que o mamute pegou AIDS!).

Uma segunda teoria, diz que os mamutes foram extintos numa mudança climática que ocasionou um grande degelo, e como eles viviam na América do Norte, bem no Norte, morreram no derretimento do gelo que existia no passado. Existiram várias extinções em massa, em eras geológicas passadas, pois o clima do planeta mudou diversas vezes e então muitas espécies não resistiram, não se adaptaram às mudanças e foram extintas. É um processo natural, só que desde que essa espécie conhecida como espécie humana surgiu, e principalmente depois da Revolução Industrial esse processo foi hiperacelerado, e hoje extinguem-se cerca de 100 vezes mais espécies do que antes do homem surgir.

Acho que é por isso que os paleontólogos desconfiam do homem de Clóvis.

Fizeram uma análise de pólen fossilizado, do esterco e da matéria orgânica do solo onde esses mamutes viviam. No esterco fossilizado encontraram uma espécie de fungo e a partir da quantidade de fungos encontrada (acho que o fungo era fossilizado também) estima-se o tamanho da população de mamutes.

(Não entendi direito como isso é feito, e vou tirar essa dúvida hoje durante a aula - acho que são métodos de inferência estatística - cá entre nós o pesadelo da minha graduação!!!!)

Bom, os mamutes não pegaram AIDS mas talvez tenham contraído uma doença tão mortal quanto. Essas informações foram extraídas de um texto da Scientific American que estamos trabalhando em aula, e os caras concluem que assim como no passado, hoje a espécie humana está sendo responsável pela extinção de muitas espécies - principalmente grandes mamíferos.




FONTE: Scientif American - The lost Giants.

segunda-feira, 28 de março de 2011

ECOLOGIA DE POPULAÇÕES - Predação e Antipredação

Ecologia de Populações é uma parte da Ecologia que analisa os processos ecológicos a partir da unidade ecológica que chamamos de populações - simplificadamente, um conjunto de indíviduos de uma mesma espécie habitando uma determinada área.

PREDAÇÂO - A predação é uma interação ecológica que dizemos ser positiva para uma espécie e negativa para outra. Essa interação funciona como um regulador populacional, se não houvesse predação, as populações cresceriam de maneira descontrolada. Além da predação "clássica" - leões comendo herbívoros, gaviões comendo roedores, cobras comendo sapos, etc, existem outras formas de predação mais discretas, como a herbivoria e o parasitismo.

A coisa funciona mais ou menos como uma dança, uma população depende de outra. Assim sendo, se houve evolução da predação, as espécies predadas também desenvolveram estratégias para evitar a predação.

Uma dessas estratégias é conhecida como coloração de advertência. Um exemplo clássico são os anuros venenosos com cores brilhantes. Essas cores maravilhosas dos anuros são um indicativo para o predador de que naquela espécie existe algo perigoso.


A camuflagem é um outro exemplo de antipredação. Imitando as características do ambiente, algumas espécies se confundem ao cenário em que vivem para se esconder do predador. Vejam esses exemplos incríveis:









No mimetismo, espécies que são palatáveis (ou seja não são tóxicas e podem ser comidas pelos predadores), imitam o padrão de cores de espécies que são impalátveis (tóxicas). Como os predadores já conhecem o padrão de cores que indica que uma espécie é venenosa, eles são enganados pelas espécies que copiam o padrão impalatável. Na ilustração abaixo, as borboletas da esquerda são impalatáveis, e as da direita não são, mas imitam o padrão de cores, elas se disfarçam pra sobreviver!

Existe também uma estratégia chamada Display, que é quando o animal se incha para parecer maior do que realmente é e assustar o predador.


E por fim um videozinho que fiz, ensaiando para apresentar um seminário sobre esse assunto!
Beijos


sexta-feira, 25 de março de 2011

Evolução em Quatro Dimensões

Não terminei a graduação ainda, mas a ousadia faz com que me sinta já dentro do mestrado.
Estou lendo um livro, em inglês pra ficar bem afiado para o momento em que isto se tornar realidade, que se chama Evolução em Quatro Dimensões, de dois autores chamados Eva Jablonka e Marion Lamb

Complexo, mas bem interessante. Na minha opinião, menos chato do que alguns livro que li do Richard Dawkins, aliás esse autor merece um post aqui no RED MOSQUITO pois é um dos caras mais considerado no mundo das Ciências Biológicas e também um dos mais polêmicos!

Ainda estou no meio do livro da Evolução em Quatro dimensões. Esses caras analisam a Evolução das Espécies sob quatro diferentes prismas. O primeiro é o genético, uma análise da Evolução sob a luz da herdabilidade. Depois ele analisa as consequencias da transmissão genética de caracteres sobre o metabolismo celular. Ele também faz uma análise da epigenética, que é uma coisa mais ou menos assim - Todo DNA tem potencialidade para produzir uma série de proteínas e consequentemente uma série de funções nos organismos. Acontece que na verdade, a maior parte do DNA é uma coisa meio misteriosa, apenas uma pequena parte da molécula de DNA é funcional, produz proteínas que sejam realmente efetivas. O restante da molécula contém bases nitrogenadas que não tem uma função específica, ou que são resquícios evolutivos, restos de DNA de outras espécies humanas que sobraram na molécula. Mas acontece que existem mecanismos que podem ativar ou desativar certas partes do DNA, e isso é chamado de epigenética. Essas alterações também são transmitidas, dependendo do caso, e podem, aos poucos levar a mudanças evolutivas. A terceira dimensão da Evolução analisada no livro, se refere à comportamentos, que são passados de geração para geração, mas não necessariamente pelo DNA, mas esse comportamento herdado,  pode levar a um isolamento geográfico, ou um hábito adquirido que seja tão forte que acabe isolando os indivíduos que adquiram esse hábito, o que no final das contas, leva também a mudanças evolutivas. A quarta dimensão se refere a evolução da Cultura humana e como isso interfere na Evolução das Espécies. (Bem, ainda não cheguei nessa parte e confesso que estou curiosíssimo para saber o que eles vão demonstrar.)

Li uma coisa muito bacana que nesse livro e que é bastante polêmica, espero que consiga explicar. É que Lamarck dizia que a especiação (transformação de uma espécie em outra) ocorria pela lei do uso e desuso. O exemplo clássico é o da girafa. Ele acreditava que havia um ancestral da girafa de pescoço curto e que de tanto tentar alcançar as folhas das árvores altas para se alimentar as gerações seguintes acabam ganhando um pescoço comprido, de tanto os ancentrais da girafa esticarem o pescoço. Depois chegou a Teoria da Evolução, com o livro A Origem das Espécies, do célebre Charles Darwin, que desbancou a teoria Lamarckiana e a deixou num status de teoria inválida, ridícula e errada. Darwin postulou que a Evolução ocorre de modo muito gradativo. Ele formulou também o conceito de Seleção Natural, onde somente os mais fortes e mais adaptados sobrevivem e se reproduzem. Na época do Darwin, o Mendel ainda não havia descoberto e postulado as Leis da Genética, mas o Darwin é o cara, e ele tinha uma noção intuitiva do que seriam genes. Ele achava que os animais possuiam pequenas partes que ele, na época, chamou de gêmulos (não sei se essa palavra existe em português, no inglês é gemmule). Ele achava que os "gemmules" eram transmitidos para as gerações futuras e que a Seleção Natural atuava sobre os mais aptos e assim passava apenas os melhores "gemmules" para a frente. Depois que o Mendel descobriu e postulou as Leis da Genética, a Genética se adequou perfeitamente à Teoria da Evolução de Charles Darwin, que com a Genética passa a ser chamada de NeoDarwinista. Agora a Evolução é entendida como mutações, aleatórias, que causada por um fator ambiental, gradativamente vai transformando uma espécie em outra.

O que fazia o Lamarckismo soar como ridículo é que no meio dessa história, postulou-se que apenas o Genótipo era herdado, nunca o fenótipo. Pensava-se que as mutações sempre sempre ocorriam por acaso, e aí, por acaso (THE BIG RANDOM), uma espécie virava outra e melhor adaptada.  Acontece que fizeram alguns testes com bactérias, e as submeteram a condições de estresse (uma temperatura elevada por exemplo) e então notaram que no DNA dessa bactéria estudada ocorria uma mutação, mas não era o THE BIG RANDOM (eu acho muito engraçado, os teóricos da evolução que explicam tudo como sendo obra do acaso), era uma mutação pontual, tipo, um gene mutava e tornava a bactéria mais resistente ao calor. (No caso desse exemplo específico).

A galera teve que parar para pensar com isso. Lamarck não estava tão errado assim, afinal a bactéria mudou para poder se adaptar a uma necessidade.

Está sendo legal ler esses autores, porque eles estão tirando o poder que foi atribuído ao DNA nos últimos tempos e estão dismistificando alguns postulados que todo mundo acredita!

RANDOM É BALELA!

FONTE: Evolution in Four Dimensions - Genetic, Epigenetic, Behavioral, and Symbolic Variantion in the History of Life - Eva Jablonka and Marion J. Lamb