terça-feira, 29 de novembro de 2011

PAU NO NOVO CÓDIGO FLORESTAL

Dona Dilma fez um bonito discurso uns dias atrás dizendo que o Brasil pode ser potência agrícola e energética e também potência em recursos naturais e preservação da biodiversidade. Bonito discurso, mas o que está sendo feito na prática?

Hoje está em votação no Senado a aprovação do projeto de Lei do Novo Código Florestal Brasileiro. Acontece que o novo Código é mais "frouxo" que o antigo, permite atividades agrícolas em Áreas de Preservação Permanente (APPs - topos de morro, matas ciliares, proximidades de rios - são áreas importantes para a manutenção do fluxo gênico entre inúmeras espécies, o que garante a biodiversidade e por lei até então todas essas áreas não deveriam ser tocadas pela atividade agrícola.

Vejam alguns dos pontos em que a nova proposta de Legislação se torna mais "frouxa"

"As faixas de proteção nas margens dos rios continuam exatamente as mesmas da lei vigente hoje (30 a 500 metros dependendo da largura do rio), mas passam a ser medidas a partir do leito regular e não do leito maior nos períodos de cheia. A exceção é para os rios estreitos com até dez metros de largura, para os quais o novo texto permitiu, para aquelas margens de rio totalmente desmatadas, a recomposição de 15 metros. Ou seja, para rios de até 10m de largura onde a APP está preservada continua valendo o limite de 30m; para rios totalmente sem mata ciliar o produtor ainda está obrigado a recompor 15m.

Nas APPs de topo de morros, montes e serras com altura mínima de 100 metros e inclinação superior a 25°, o novo código permite a manutenção de culturas de espécies lenhosas (uva, maçã, café) ou de atividades silviculturais, assim como a infraestrutura física associada a elas. Isso vale também para os locais com altitude superior a 1,8 mil metros"
 
Várias celebridades fizeram parte de uma campanha contra a aprovação do novo Código. Pra que permitir mais desmatamento e aumentar as áreas para atividade agrícola? Ao invés disso, por que não praticamos novas técnicas agrícolas que permitam o uso racional e sustentável do solo nas áreas já "agriculturáveis"? Acho um absurdo a maioria dos cursos de Agronomia do país ainda serem voltados para a Agricultura convencional, baseada na monocultura e em produção em larga escala.
 
Abaixo, alguns links para os vídeos da campanha "URGENTE" e meu próprio protesto!
 
 
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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

APRENDIZAGEM - Métodos e discussões.

RELATÓRIO DE LEITURA – MÓDULO II – APRENDIZAGEM

TEXTOS LIDOS :

1 - Ensinar Ciências por investigação: em que estamos de acordo? (Munford / Castro Lima)

2 – REFORMAS E A REALIDADE: O caso do Ensino de Ciências (Krasilchik)

Particularmente, ainda não aceito que todo o currículo educacional, tanto no Brasil quanto em diversos outros países, seja tão focado para treinar pessoas cujo principal objetivo na vida é o desenvolvimento de habilidades científicas. O que há por trás desse pensamento já tão infiltrado em todos os segmentos da sociedade? Desenvolvimento científico é associado a poder, principalmente poder econômico. Eu gostaria que o objetivo final dos processos de aprendizagem na escola fosse a formação de pessoas, indivíduos que reconhecem o próprio potencial e que sabem como aplicar esse potencial de maneira criativa e crítica na sociedade e não somente o treinamento de “soldados do capitalismo”, capazes, única e exclusivamente de se arriscarem a aplicar o método científico. (“Capazes de se arriscarem”, porque a ciência que é dada na escola é pré-moldada, cortada, simplificada. Bastante diferente da ciência praticada nos laboratórios e universidades, então um aluno hoje sai do segundo grau apenas com uma noção do método).

Essas idéias de formação humana ainda estão muito no campo teórico e na realidade a ciência retalhada ainda é muito presente nos currículos e nas aulas dadas na escola. Como não temos como fugir disso, um método mais humano de ensinar ciências é o ensino por investigação. O ensino por investigação propõe desafios aos alunos, tira os estudantes das situações de comodismo e os coloca para buscar informação e construir o conhecimento.

O interessante do ensino de ciências por investigação é o fato do professor ter oportunidade de tentar fugir do modelo de ensino de ciências pronto e compartimentalizado. Com o ensino por investigação, o estudante pode problematizar o conteúdo que lhe é apresentado e propor novas teorias e resultados e dessa forma pretende-se aproximar a ciência ensinada em sala de aula da ciência praticada pelos cientistas.

Além de estimular o desenvolvimento do raciocínio e a capacidade para detecção e solução de problemas, o ensino por investigação tem como uma de suas metas familiarizar o estudante de Ensino Médio com o método científico praticado nas Universidades e Institutos de pesquisa.

No texto “Reformas e Realidade”, Myrian Krasilchik faz um panorama do currículo escolar brasileiro no ensino de ciências, a partir da década de 50. A organização do currículo muda conforme as mudanças políticas, culturais e tecnológicas aconteciam no mundo. Um dos pontos que achei interessante no texto é a descoberta das causas que estão por trás da formação do currículo. “Ah, então é por isso que tive que estudar isso nessa ordem?” Enquanto biólogos, sabemos que não há capacidade de suporte, não há matéria prima no planeta, a longo prazo, para sustentar o ritmo do desenvolvimento científico-tecnólogico, ou o desenvolvimento desenfreado. Apesar disso, ao longo das décadas, a tendência do currículo escolar foi se voltando para a formação de um cidadão com habilidades, ou noções científicas e desenvolvimentistas. A Myrian conta que quando começou esse movimento, na década de 60 nos Estados Unidos, uma maior ênfase era dada aos currículos das disciplinas científicas, como Química, Física e Biologia, com a intenção de fortalecer a hegemonia norte americana na conquista do espaço.

A autora relata ainda como a prática de observação e indução de comportamentos “aceitáveis” influenciava a educação nos anos 60. No início da década de 70, as idéias de Jean Piaget ganham força e um enfoque construtivista é trabalhado nas escolas brasileiras. Na modernidade, soma-se a todas essas correntes pedagógicas a utilização das novas mídias, o aporte tecnológico que se desenvolveu nas últimas décadas e estão cada vez mais presentes nas salas de aula como ferramentas didáticas.


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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

ANÁLISE DO CURRÍCULO ESCOLAR DAS CIÊNCIAS BIOLÓGICAS.

ANÁLISE DA FORMAÇÃO DO CURRÍCULO ESCOLAR DAS CIÊNCIAS BIOLÓGICAS.
Waldir Neto


No texto “A metáfora do rizoma: contribuições para uma educação apoiada em comunicação e informática”, as autoras Eliana Povoas de Brito e Gertrudes Dandolini expõem algumas mudanças necessárias para a criação de um currículo para os cursos de graduação que se adapte à demanda tecnológica da sociedade contemporânea. As autoras gaúchas são professoras de cursos de graduação modalidade EAD e portanto lidam com recursos tecnológicos constantemente.

O artigo sugere uma ruptura no modelo curricular linear e propõe uma estrutura curricular onde as disciplinas se entrelaçam, como uma rede de conhecimento, em rizoma. O texto questiona a interdisciplinaridade, que apesar de ser proposta por muitas instituições e educadores e tão debatida, na prática percebe-se que as disciplinas e as áreas de conhecimento se “compartimentalizam” cada vez mais.

O modelo curricular linear vigente é fruto de uma racionalidade hegemônica positivista (machista?). Existe um poder, segundo Focault, que acredita ser mais “rentável” vigiar do que castigar. Seria esse poder o capitalismo? Atravessando todas as relações humanas e chegando mesmo a determinar o tempo escolar com resquícios de regimes autoritários (como o militarismo) que são refletidos na escola moderna como sanções disciplinares “tradicionais” como manter os alunos presos em sala de aula, ter o professor como autoridade e “detentor do poder”, aulas compartimentalizadas em matérias isoladas e em tempos de 50 minutos.

As teorias educacionais contemporâneas trouxeram uma crise da modernidade que questiona a linearidade e permite diversas rupturas. Agora, o Homem é o centro e uma das forças criadoras do conhecimento e sendo uma das forças a identidade do homem deixa de ser o centro e suas diferenças passam a ser a força orientadora. Em aula pensei em questionar o CBC do estado de Minas Gerais, que traz como um dos primeiros temas a ser ensinado a estudantes do primeiro ano do Ensino Médio, a Ecologia, assunto que no currículo antigo era estudado no terceiro ano, quando já havia se introduzido assuntos correlacionados que supostamente levariam à uma melhor compreensão dos fenômenos ecológicos, assuntos como zoologia e botânica. Quais seriam as forças que ocasionaram essa inversão de currículo? Ao ler no texto que a diferença entre os homens é uma das forças orientadoras fiz uma associação com a idéia de biodiversidade (que garante variado patrimônio genético). A diversidade humana também garante um trabalho mais bem feito? A inserção de um currículo que contemple a diversidade étnica humana, com sua multiculturalidade, garante uma melhor aprendizagem desse conteúdo? (Ecologia para o primeiro ano, que da maneira que foi organizado pelo CBC é reconhecido por alguns professores como um conteúdo o qual os alunos não tem base para aprender.). Uma vez que o currículo em rizoma contempla diversas disciplinas entrelaçadas sem fronteiras entre si, essa forma de organização curricular, se fosse adotada pelas escolas de Ensino Médio, serviria como uma metodologia para a facilitação da aprendizagem dos estudantes. No caso da Ecologia, em um currículo em rizoma, o aluno deverá ser capacitado para perceber que em uma cadeia alimentar estão atuando simultaneamente princípios da química, da física, da botânica e da zoologia (e se expandirmos a idéia – da língua portuguesa para descrever o fenômeno, da matemática para compreender a perda de 10% de energia que ocorre a cada passagem de nível trófico, das Artes para ilustrar o fenômeno em um livro didático, sociologia se analisarmos a ação humana sobre essa teia alimentar). Os fenômenos naturais não acontecem separadamente a cada intervalo de 50 minutos. Acontecem juntos, ao mesmo tempo e é importante o estudante ter essa percepção.

O texto ilustra uma discussão que tivemos em sala de aula: a TV como uma forma de informação massificante X a internet, como uma ferramenta de informação onde quem absorve essa informação também pode interagir e até construir uma “tribo” própria. É apresentado um esquema de como implementar o currículo em rizoma, um modelo onde as disciplinas estão todas entrelaçadas, interconectadas.

A parte do livro “PCN + - Orientações Educacionais Complementares aos Parâmetros Nacionais” que propõe mudanças curriculares para construção de uma nova escola entra em consonância com a discussão que tivemos em aula, na disciplina de Instrumentação para o Ensino de Biologia, quando diz que uma nova escola não quer dizer um projeto de um prédio novo (o que também não é ruim), mas o mais importante é um projeto que vise a qualidade das relações humanas. A nova escola tem como centro a vida de seus participantes, suas expectativas, seu conhecimento prévio e suas potencialidades.

O texto diz que é necessário sempre considerar a realidade do aluno (sem dúvida) e evitar introduzir novas disciplinas ou complicar as que já existem pois o aprendizado não ocorre em situações de aula mas através de outras práticas. Achei estranho o PCN reconhecer a introdução de novas atividades como uma “complicação de disciplinas que já existem”. É claro que existem objetivos a serem alcançados pelo educador, mas a introdução e experimentação de novos métodos pode inclusive facilitar o alcance desses objetivos.

Na parte em que o texto propõe algumas metodologias para trabalhar a interdisciplinaridade em diversas disciplinas, quando sugere métodos da disciplina História, diz que o professor deve contextualizar historicamente o desenvolvimento do método científico. Qual a força por trás desse tipo de sugestão? A interdisciplinaridade está servindo apenas para preparar o estudante para lidar com a ciência?

É impressão minha ou o PCN + está todo focado no sentido de enaltecer a ciência e o desenvolvimento econômico? Esse assunto cruzou os exemplos de práticas interdisciplinares praticamente em todas as disciplinas? E onde está a humanização da proposta?

Gostei da parte que traz exemplos de temas que são transversais mas que estão desarticulados dentre as disciplinas. O livro dá o exemplo dos conceitos de energia, trabalhados de maneira diferente pela Química, pela Física e Biologia. O livro fala também sobre o conceito de Identidade, identidade do aluno, ou identidades as quais o aluno deverá se confrontar. É um assunto comum à Psicologia, à História, à Filosofia e à Sociologia, mas no entanto cada uma dessas disciplinas tem um método diferente para tratar esse tema e geralmente sem levar em consideração que o estudante é a principal identidade a ser ali trabalhada, pois é a força criadora da sociedade contemporânea e futura, como vimos no texto que apresenta o currículo em rizoma.


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terça-feira, 28 de junho de 2011

TARTARUGAS AO RESGATE

RECOLONIZAÇÃO DE ILHAS E MESMO DE CONTINENTES PODERIA PROVAR UM EFETIVO MÉTODO PARA REVERTER CATÁSTROFES ECOLÓGICAS.
David Bello
Tradução: Waldir Neto

        Os europeus fizeram suas explorações  pela ilha-nação de Mauritius adentro, e essas explorações ficaram conhecidas principalmente pela eliminação do pássaro dodo no ano de 1700. Menos conhecido foi  seu impacto sobre a ilha mauritiana conhecida agora como Ile aux Aigrettes, onde eles exterminaram camaleões gigantes e tartarugas e cortaram o ébano nativo para lenha.
      Em 1965, a imensa área desmatada de 25 hectares da ilha foi declarada como uma reserva natural. Mas, mesmo na ausência do desmatamento, as florestas de ébano de crescimento lento falharam em seu desenvolvimento. Por que? Porque elas haviam perdido os animais que comiam seus frutos e dispersavam suas sementes.  Então, em 2000 os cientistas realocaram quatro tartarugas gigantes para os arredores do atol de Aldabra em Seychelles (seja lá onde isso for!), e em 2009 um total de 19 tartarugas habitavam a ilha, comendo as grandes frutas e deixando para trás mais de 500  densos fragmentos com mudas. A equipe publicou seus resultados em abril no jornal Current Biology.
      Nessa minúscula ilha, pelo menos, a recolonização parece ter funcionado e isso incentivou outros projetos de restauração ecológica em plena sexta extinção em massa na história da Terra. Conservacionistas europeus receberam 3,1 milhões de euros para começar a trazer bisões, bovinos e cavalos de volta para terras cultiváveis "abandonadas" em locais como a Espanha Ocidental ou as Montanhas Carpatianas. Ecólogos propuseram o repovoamento de partes dos Estados Unidos com elefantes, que poderiam substituir os extintos mastodontes. *(Que beleza, hein?! Já pensou o estrago?). Os holadenses, por sua vez, já construíram o equivalente a um Parque do Pleistoceno em Oostvaardersplassen, com a adição de cavalos Konik (espécie introduzida? Nativa de onde?) e vacas Heck  para substituir os extintos cavalos e vacas. 
      Claro, os humanos têm um histórico misto de registros no que concerne à sua interferência em sistemas ecológicos naturais - a introdução do sapo de bengala na Autrália para o controle de outras pestes resultou numa marcha de destruição pelo continente afora.  "Não há garantias nas tentativas de manipulação da natureza," nota  o ecólogo Mark A. Davis da Faculdade Macalester em Minnesota. Outros argumentam que os humanos devem consertar o que estragaram.  "Não há local nesse planeta, no qual os humanos não tenham interferido, e é a hora para nos tornarmos ativamente envolvidos com engenhosas soluções", diz o biólogo-marinho Ove Hoegh-Guldberg da Universidade de Queensland, Austrália. "Nesse ponto, não há outra opção, senão a a extinção".

P.S. - As imagens são das verdadeiras tartarugas gigantes de Aldabra! Aldabra é perto de Madagascar e Seychelles o nome do arquipélago! Olha ele na foto! 









FONTE: TORTOISES TO THE RESCUE - Scientif American July 2011.


quarta-feira, 22 de junho de 2011

Mirmecocoria - na reta final

Bom, estou há dois anos quebrando a cabeça,  buscando um método que comprove a hipótese da fuga do predador para espécies arbóreas que realizam a síndrome de dispersão do tipo mirmecocórica. A literatura ecológica diz nessa hipótese, basicamente, que o fato das formigas carregarem as sementes para longe da planta parental diminui a pressão por predadores (besouros, no caso específico da planta com que trabalho) e garante a germinação da semente.

Estou trabalhando com uma espécie arbórea pioneira, bastante comum nas matas ciliares de estados centrais brasileiros como MG, RJ, SP, DF, GO, MT, MS, a Croton urucurana. A Croton urucurana é uma espécie relativamente fácil de se trabalhar, já que ela é generalista, ocorre em todo lugar. Suas sementes são  minúsculas e contêm uma pequena camada lipídica, chamada elaiossomo, que é aproveitada pelas formigas dispersoras como alimento.

Acontece que essa hipótese da fuga do predador foi raramente testada em plantas que realizam essa síndrome de dispersão e nunca foi testada em árvores tropicais.

Inicialmente eu sei que tenho que isolar as sementes do predador  em um primeiro momento e também permitir o acesso do predador às sementes, para verificar e estimar as taxas de predação.  Mas como fazer isso? Bem, um autor espanhol chamado Manzaneda, esquematizou um método para testar a hipótese da fuga do predador ao longo de uma região espanhola. Para verificar as taxas de predação, Manzaneda colou as sementes nas laterais de uma caixa de fibra de vidro, de maneira que ele pode manter e contabilizar as tentativas de predação das sementes. Fiz uma adaptação do método do Manzaneda e colei  minhas 100 sementes em uma caixa e estou esperando a alguns dias para  ver se os coleópteros resolverão aparecer para tentar mastigar algumas, mas por enquanto ainda não aconteceu nada. As diferenças entre o meu método e o do Manzaneda é que o meu além de ser muito mais simples, foi feito com expectativa de alimentar alguns besouros, predador das sementes de Croton. No caso do Manzaneda ele investigava uma planta que tinha como predador das sementes uma espécie de roedor, muito mais visível e fácil de ser identificado. Eu ainda terei que examinar minhas minúsculas sementes em um estetoscópio (lente) para ver se os predadores apareceram ou não. Além disso, consegui fazer isso somente agora no inverno, quando o metabolismo da maioria dos insetos fica mais lento. De qualquer forma fiz algumas imagens da tentativa de experimento.







quinta-feira, 9 de junho de 2011

Joisten Gaarden X Richard Dawkins

Galera,


Estou empolgadíssimo terminando de ler o livro O dia do Curinga, de Joisten Gaarden, mesmo autor de O mundo de Sofia. ( E de outro, excelente e triste chamado O outro lado do Espelho).

Nesse livro do Gaarden há um paralelo entre um mundo fantasioso e a filosofia, na vida real, e acabei encontrando nisso também um paralelo com a Teoria da Evolução das Espécies. O livro é cheio de metalinguagem, conta a história de um garotinho, filho de um filósofo que está viajando com o pai pela Europa a procura da mãe que fugiu para se encontrar e virou modelo na Grécia. Certo dia, numa padaria de uma cidadezinha um padeiro dá um pãozinho de presente para o menino e diz que tem uma surpresa. E dentro do pão o menino encontra um mini livrinho e ao longo da viagem o garotinho vai lendo o livrinho, que de certa forma parece que vai contar a história do próprio menino e  o menino tem tantas reflexões que parece que sou eu mesmo lendo a história (ou qualquer outro leitor). Metalinguagem dupla, genial!
No minilivrinho há a história de um naufrágo que chegou em uma ilha perdida no meio do Atlântico. (Vou resumir a história para não virar Spoiler e também porque vou frisar mais a parte que se relaciona à teoria da Evolução). O náufrago ficou muitos anos sozinho nessa ilha, que tinha frutas estranhas e bichos de seis patas. A única companhia do náufrago (Frode) era um baralho com 52 cartas. Depois de jogar infinitas vezes um jogo de paciência invetado por ele mesmo, Frode começa a imaginar que cada carta do baralho era uma pessoa, suas únicas companhias. Depois de alguns anos, quando as cartas do baralho já estavam destruídas pelo tempo e pela salinidade, as pessoas imaginadas por Frode começam a surgir de verdade na ilha. Primeiro um Valete de Ouros, depois um Rei de Espadas. Anões vivos com símbolos das cartas. Depois a Ás de Ouros, que é uma musa inspiradora. Durante muito tempo Frode acha que está delirando, mas um dia outro náufrago chega na ilha e vê as mesmas figuras.

As cartas de baralho vivas, viviam alienadamente, só conseguiam entender as regras de um jogo, mas não perguntavam sobre suas origens. Até que um dia surge o Curinga que não é de nenhum naipe, não é submetido a nenhum rei é apenas ele mesmo. O Curinga então percebe que aquelas pessoas daquela ilha eram muito bitoladas, organizadinhas vivendo como se fossem cartas. E certo dia resolve então perguntar para Frode porque ele achava que aquelas pessoas viviam tão organizadas, será que alguém havia criado aquilo tudo? E Frode responde. _ Pode ser que seja obra do acaso. Imagine se você jogar vários gravetos para cima eles podem cair de forma organizada. Eu sempre achei que a Teoria da Evolução e o Criacionismo são a mesma coisa, como duas faces da mesma moeda. Eu só queria que os dois lados dessa discussão deixassem de ser tão cabeça duras. Religiosos continuam acreditando que Deus é um velhinho que está no céu e criou tudo em 7 dias. Por outro lado, Richard Dawkins, principal expoente moderno da Teoria da Evolução financia um acampamento que pagará um prêmio para quem provar que Deus não existe, isso sem falar na velha máxima que diz que Charles Darwin matou Deus.  E todas as mutações que levaram a imensa biodiversidade que observamos no nosso planeta hoje, a todas adaptações e formas de vida espetaculares, são explicadas com o  que eu sempre irei achar absurdo: o random, o acaso, o estocástico.

Assim como o Frode na história. "É tudo obra do acaso!" Frode resolve perguntar então para o Curinga
-Curinga e se eu te disesse que você, e tudo isso aqui, essa ilha e essas pessoas são uma criação da minha mente, o que você faria?

E sabem o que o Curinga responde:

- Eu teria que te matar , pois preciso manter minha dignidade!

Acho que nem preciso falar mais nada.


terça-feira, 7 de junho de 2011

DOE SEU CÉREBRO, SALVE ALGUÉM!

(p.s. - O título original do texto é Donate your Brain, Save a Buck) Buck significa macho ou gamo (um cervídeo), mas não encontrei nenhuma relação no texto com gamos, machos, ou gamos machos... Não achei o contexto dessa palavra então adaptei. Vamos lá!

TEMPOS DIFÍCEIS ESTÃO TORNANDO A DOAÇÃO DE TECIDOS MAIS ATRAENTE


A grande recessão mudou a maneira de muitas pessoas viverem - e suas repercussões parecem estar alterando a forma com que algumas pessoas escolhem morrer.
Pelo menos dois proeminentes bancos de tecidos tem visto um aumento no número de indivíduos que estão interessados em doar seus corpos para pesquisa em troca de um desconto nos custos funerários.
O Instituto de Pesquisa em Saúde Grande Sol, próximo de Phoenix (EUA) recebe geralmente  algo em torno de mil requisições para fazer doações todos os anos.  Esse número aumentou em 15% desde o início da recessão em 2008, e a lista de espera para doadores tem aumentado. "As pessoas tem tido uma menor avaliação de seus 401Ks (pelo que entendi é uma espécie de seguro de vida público, nos Estados Unidos), e isso começa a pesar no orçamento doméstico das pessoas, que então começaram a buscar maneiras alternativas de fazer seus preparativos para a morte" diz Brian Browne, porta-voz do Instituto, que utiliza os tecidos doados para fazer pesquisas sobre as doenças de Alzheimer e Parkinson, dentre outras doenças. Os descontos conseguidos com essas doações, nos custos de cremação, por exemplo, podem chegar até a U$ 1.500.

O Registro de Atributos Anatômicos, uma entidade sem fins lucrativos em Glen Burnie, provê tecidos para pesquisas médicas, teve as ligações de doadores aumentadas de 150 a 250 por mês para mais de 400. "As pessoas estão escolhendo essa opção por causa dos altos custos dos funerais", diz Brent Bardsley, o vice-precidente executivo do Registro, que também atribui o aumento nas doações à crise financeira.  Bardsley  tem inclusive orientado agentes funerários a tentar ajudar famílias desesperadas incapazes de pagar todos os custos de um funeral.  Uma pequena melhora nesse último acordo poderia ser traduzido como uma importante contribuição para a ciência.


(Agora alguém me explica o que isso tem a ver com Ecologia de Populações?!!!)

FONTE -  Scientific American = DONATE YOUR BRAIN, SAVE A BUCK.
Versão Brasileira Hebert Richards.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

PERDEMOS PARA O "DESENVOLVIMENTO"?

Foi aprovada hoje, pelo IBAMA a concessão para construção, instalação e funcionamento da usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, estado do Pará. A empresa Norte Energia, responsável por esse desastre ecológico, dará uma contrapartida de 100 milhões de reais para projetos de conservação do rio Xingu, mas é claro, óbvio, off course que esse dinheiro será desviado e financiará projetinhos "meia boca" enquanto o restante da verba é desviada e todo um ecossistema desaparece!

A porcaria vai cobrir um trecho de 100 km do rio Xingu, e será uma das maiores do mundo!


ENTENDENDO O PREJUÌZO

A construção da usina tem opiniões conflitantes. As organizações sociais têm convicção de que o projeto tem graves problemas e lacunas na sua formação.[7][27]
O movimento contrário à obra, encabeçado por ambientalistas e acadêmicos, defende que a construção da hidrelétrica irá provocar a alteração do regime de escoamento do rio, com redução do fluxo de água, afetando a flora e fauna locais e introduzindo diversos impactos socioeconômicos. Um estudo formado por 40 especialistas e 230 páginas defende que a usina não é viável dos pontos de vista social e ambiental.[28][29][30]
Outro argumento é o fato de que a obra irá inundar permanentemente os igarapés Altamira e Ambé, que cortam a cidade de Altamira, e parte da área rural de Vitória do Xingu[28]. A vazão da água a jusante do barramento do rio em Volta Grande do Xingu será reduzida e o transporte fluvial até o Rio Bacajá (um dos afluentes da margem direita do Xingu[31]) será interrompido. Atualmente, este é o único meio de transporte para comunidades ribeirinhas e indígenas chegarem até Altamira, onde encontram médicos, dentistas e fazem seus negócios, como a venda de peixes e castanhas.[28][32]
A alteração da vazão do rio, segundo os especialistas, altera todo o ciclo ecológico da região afetada que está condicionado ao regime de secas e cheias. A obra irá gerar regimes hidrológicos distintos para o rio. A região permanentemente alagada deverá impactar na vida de árvores, cujas raízes irão apodrecer. Estas árvores são a base da dieta de muitos peixes. Além disto, muitos peixes fazem a desova no regime de cheias, portanto, estima-se que na região seca haverá a redução nas espécies de peixes, impactando na pesca como atividade econômica e de subsistência de povos indígenas e ribeirinhos da região.[28]
Segundo documento do Centro de Estudos da Consultoria do Senado, que atende políticos da Casa, o potencial hidrelétrico do país é subutilizado e tem o duplo efeito perverso de levar ao uso substituto da energia termoelétrica - considerada "energia suja" e de gerar tarifas mais caras para os usuários, embora o uso da energia eólica não tenha sido citada no relatório. Por outro lado, o Ministério de Minas e Energia defende o uso das termoelétricas para garantir o fornecimento, especialmente em períodos de escassez de outras fontes.[33]
O caso de Belo Monte envolve a construção de uma usina sem reservatório e que dependerá da sazonalidade das chuvas[33]. Por isso, para alguns críticos, em época de cheia a usina deverá operar com metade da capacidade, mas, em tempo de seca, a geração pode ir abaixo de mil MW, o que somado aos vários passivos sociais e ambientais[34] coloca em xeque a viabilidade econômica do projeto

IMPACTOS IDENTIFICADOS PELO IBAMA
  1. Geração de expectativas quanto ao futuro da população local e da região;
  2. Geração de expectativas na população indígena;
  3. Aumento da população e da ocupação desordenada do solo;
  4. Aumento da pressão sobre as terras e áreas indígenas;
  5. Aumento das necessidades por mercadorias e serviços, da oferta de trabalho e maior movimentação da economia;
  6. Perda de imóveis e benfeitorias com transferência da população na área rural e perda de atividades produtivas;
  7. Perda de imóveis e benfeitorias com transferência da População na área urbana e perda de atividades produtivas;
  8. Melhorias dos acessos;
  9. Mudanças na paisagem, causadas pela instalação da infra-estrutura de apoio e das obras principais;
  10. Perda de vegetação e de ambientes naturais com mudanças na fauna, causada pela instalação da infra-estrutura de apoio e obras principais;
  11. Aumento do barulho e da poeira com incômodo da população e da fauna, causado pela instalação da infraestrutura de apoio e das obras principais;
  12. Mudanças no escoamento e na qualidade da água nos igarapés do trecho do reservatório dos canais, com mudanças nos peixes;
  13. Alterações nas condições de acesso pelo Rio Xingu das comunidades Indígenas à Altamira, causadas pelas obras no Sítio Pimental;
  14. Alteração da qualidade da água do Rio Xingu próximo ao Sítio Pimental e perda de fonte de renda e sustento para as populações indígenas;
  15. Danos ao patrimônio arqueológico;
  16. Interrupção temporária do escoamento da água no canal da margem esquerda do Xingu, no trecho entre a barragem principal e o núcleo de referência rural São Pedro durante 7 meses;
  17. Perda de postos de trabalho e renda, causada pela desmobilização de mão de obra;
  18. Retirada de vegetação, com perda de ambientes naturais e recursos extrativistas, causada pela formação dos reservatórios;
  19. Mudanças na paisagem e perda de praias e áreas de lazer, causada pela formação dos reservatórios;
  20. Inundação permanente dos abrigos da Gravura e Assurini e danos ao patrimônio arqueológico, causada pela formação dos reservatórios;
  21. Perda de jazidas de argila devido à formação do reservatório do Xingu;
  22. Mudanças nas espécies de peixes e no tipo de pesca, causada pela formação dos reservatórios;
  23. Alteração na qualidade das águas dos igarapés de Altamira e no reservatório dos canais, causada pela formação dos reservatórios;
  24. Interrupção de acessos viários pela formação do reservatório dos canais;
  25. Interrupção de acessos na cidade de Altamira, causada pela formação do Reservatório do Xingu;
  26. Mudanças nas condições de navegação, causada pela formação dos reservatórios;
  27. Aumento da quantidade de energia a ser disponibilizada para o Sistema Interligado Nacional – SIN;
  28. Dinamização da economia regional;
  29. Interrupção da navegação no trecho de vazão reduzida nos períodos de seca;
  30. Perda de ambientes para reprodução, alimentação e abrigo de peixes e outros animais no trecho de vazão reduzida;
  31. Formação de poças, mudanças na qualidade das águas e criação de ambientes para mosquitos que transmitem doenças no trecho de vazão reduzida;
  32. Prejuízos para a pesca e para outras fontes de renda e sustento no trecho de vazão reduzida.
E MESMO ASSIM OS CARAS APROVAM....!!!!
O que o dinheiro não consegue?!!!!


BRASÍLIA (Reuters) - O Ibama informou nesta quarta-feira que concedeu à empresa Norte Energia a licença de instalação que autoriza a construção integral da usina hidrelétrica de Belo Monte no rio Xingu, no Pará.
Segundo o Ibama, entre as condicionantes estabelecidas, está o investimento de 100 milhões de reais pela Norte Energia em unidades de conservação na bacia do Xingu.
A empresa assinará ainda um termo de cooperação técnico-financeira de outros 100 milhões de reais com as prefeituras envolvidas e o governo do Pará para fortalecer a segurança pública e atender o aumento da população.
A usina de Belo Monte terá potência de 11,2 mil megawatts, o que fará dela a terceira maior do mundo, atrás de Itaipu (divisa do Brasil com Paraguai) e Três Gargantas (China).
As principais acionistas do consórcio Norte Energia são as estatais Chesf e Eletronorte, do sistema Eletrobras, além da própria holding, com participação combinada de 49,98 por cento.
(Reportagem de Leonardo Goy)



ÍNDIOS

Os índios estão completamente putos da vida, pois possivelmente terão suas terras devastadas e irão se contaminar com um monte de doenças provocadas pelos distúrbios ambientais (aumento da população de mosquitos transmissores de doenças por exemplo). 64 lideranças indígenas se juntaram para protestar contra a construção da usina, mas pelo visto não adiantou muito. Um chefe indígena chegou até a enviar uma carta para o governo brasileiro ameaçando matar todos os brancos que forem construir a usina! video

segunda-feira, 30 de maio de 2011

MONSTROS DO SILURIANO

Siluriano é a era geológica que vem logo após a explosão do Cambriano (uma era geológica onde a vida evoluiu e se diversificou de uma maneira fantástica, originando os principais padrões morfológicos corporais que temos nos seres vivos hoje).

Mas é nessa era que existiam os artrópodes gigantes e assustadores. Escorpiões de 1 mt de altura , vejam os vídeos. Tem um fator dramático nas lutas pela sobrevivência representadas, mas tá valendo!
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quinta-feira, 26 de maio de 2011

EDUCAÇÃO AMBIENTAL, COMO NÃO?

Então pessoal, eu estava quase me esquecendo que essa é a minha linha de trabalho preferida e é por isso que faço Biologia. Trabalhei um bom tempo da minha vida, promovendo cursos de Educação Ambiental para comunidades rurais e estudantes.

Esse vídeo é sobre a história das coisas e mostra o quanto vivemos imersos em uma sociedade completamente viciada em consumir. Mas o que é feito com os resíduos gerados. O vídeo é norte americano. Nos EUA os níveis de consumo são umas dez vezes mais elevados do que aqui no Brasil, mas o exemplo serve para nos mostrar o que não devemos nos tornar enquanto nação. Os dados chegam a ser nojentos e o Brasil, com o crescimento econômico em que se encontra, tende a ir pelo mesmo caminho. Nossa realidade ainda é muito diferente da dos norte americanos, mas espero que continue assim, pois somos um dos países mais ricos em recursos naturais e no futuro é isso que vai contar. Tecnologia e bens de consumo são bons, mas depois de um tempo vira tudo sucata e lixo.

O vídeo é muito bacana, aproveitem!

quarta-feira, 25 de maio de 2011

SOCIEDADE TECNOLÓGICA X FORMAÇÃO ESCOLAR.

Bom dia, comunidade!
Bom dia, Arnaldo!

Tribalistas a parte, hoje está fazendo um dia nublado aqui em São João del Rei, então resolvi escrever sobre um seminário que estou montando.

A partir da Revolução Industrial e com o surgimento do capitalismo e sua consequente dominação das relações humanas sobre o planeta Terra, uma nova sociedade se configura atualmente. Com o desenvolvimento cada vez mais acelerado da tecnologia, com celulares cada vez menores e mais rápidos, processadores cada vez menores e mais rápidos e com a internet, que se tornou um verdadeiro fenômeno nas relações comerciais e pessoais e na veiculação rápida de informações, o panorama em que vivemos é o de uma sociedade dependente da tecnologia. Se acontece alguma falha de energia, tudo para e o prejuízo econômico se instala.

A política sempre esteve por trás do cenário educacional, que acaba seguindo tendências governamentais. O que existe hoje é uma lógica mercadológica e capitalista que direciona os governos e acabou por se infiltrar nas metodologias educacionais em todo o país. Com o avanço da tecnologia cada vez mais acelerado, educação e conhecimento, do ponto de vista do capitalismo, passa a ser a força motriz e o eixo da transformação produtiva e do desenvolvimento econômico. Essa lógica capitalista, da livre concorrência por exemplo, de certa forma "contaminou" as escolas.

Existem vários elementos do pensamento capitalista permeado nas escolas.O autor José Carlos Libâneo identifica nas escolas uma "pedagogia da concorrência". Segundo o autor busca-se hoje eficiência pedagógica por meio da eficiência e de resultados avaliados por meio da produtividade. Podemos identificar essa pedagogia da concorrência instalada nas escolas nos seguintes exemplos:

-Avaliação constante dos resultados (desempenhos) obtidos pelos alunos, resultados que comprovam a atuação eficaz e de qualidade do trabalho desenvolvido na escola;

- Estabelecimento de rankings dos sistemas de ensino e das escolas públicas ou privadas, que são classificadas/desclassificadas;

- Criação de condições para que se possa aumentar a competição entre escolas e encorajar os pais a participar da vida escolar e escolher entre várias escolas;

- Ênfase sobre a gestão e a organização escolar, com a adoção de programas gerenciais de qualidade total;

-Estabelecimento de formas inovadoras de treinamento de professores, tais como educação a distância;

- Descentralização administrativa e do financiamento, bem como do repasse de recursos, em conformidade com a avaliação do desempenho;

- Valorização da iniciativa privada e do estabelecimento de parcerias com o empresariado;

- Repasse das funções do Estado para a comunidade e para as empresas.

O autor escreve ainda que essa lógica mercadológica inserida nas escolas, fere os princípios como a formação moral, a formação de um cidadão integral, solidário e atuante na sociedade em que está inserido. Em vez de um projeto educacional para a inclusão social e para a produção da igualdade, adota-se uma lógica da competição em que a equidade, ou melhor, a mobilidade social é pensada sob o enfoque estrito do desempenho individual.

Libano identifica os objetivos para uma educação pública de qualidade diante dos desafios da sociedade contemporânea. Segundo o autor, é papel da escola formar o estudante para atuar na sociedade dependente de tecnologia e ao mesmo tempo preparar o cidadão para a igualdade e a diversidade.

Com base nesses objetivos educacionais identificados pelo autor, fizemos uma breve pesquisa nas escolas de São João del Rei, com intuito de descobrir se a realidade escolar se aproxima desses objetivos. Infelizmente chegamos a conclusão que o ensino público brasileiro hoje não oferece nem a capacitação tecnológica e muito menos a formação moral. Identificamos um avanço, que é a familiariedade das escolas com recursos tecnológicos como data-shows, salas de vídeos e laboratórios de informática. Todas as escolas da cidade possuem esses recursos, algumas mais organizadas outras menos, mas todas já possuem os recursos tecnológicos. Mas acontece que ainda é uma novidade, um bicho-de-sete-cabeças para a maioria dos professores e alunos. O governo do Estado capacita alguns professores para lidarem com computadores, por exemplo, mas a realidade é que essa capacitação não é efetivamente repassada para os estudantes. Eles recebem uma orientação ou outra, mas não são devidamente treinados para lidar com tecnologia, exigência do mercado que mais tarde terão que enfrentar! Quanto à formação moral dos estudantes (primordial e papel das escolas, segundo autoridades em Educação), o que vemos na verdade são aulas de Educação Religiosa disfarçadas. A Educação Religiosa é proibida pelo Estado, que diz que a Escola não pode ter religião, mas principalmente aqui em Minas Gerais o que mais encontramos são escolas cheias de dogmas católicos. A imposição de uma religião no âmbito escolar gera segregação, sempre haverá um ou outro de uma religião menos popular, e segregação é o princípio da violência. A formação moral acontece por meio de outras atividades desenvolvidas de forma transversal, atividades neutras, que ensinem ao aluno o respeito a diversidade, a igualdade de gêneros, a preservação do meio ambiente, o amor ao próximo independentemente do credo religioso.

É muito triste estudar isso, saber os princípios de uma Educação ideal, mas perceber que a realidade ainda é extremamente distante disso!

FONTE: EDUCAÇÃO ESCOLAR: POLÍTICAS, ESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO. A Educação escolar pública e democrática no contexto atual: um desafio fundamental. - José Carlos Libâneo.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

O PECULIAR AMOR DOS CORAIS

Deve ser bem difícil cortejar o sexo oposto quando se é séssil, o que explica o porquê dos pólipos - as menores criaturas cujos exoesqueletos formam corais - não se reproduzirem por acasalamento direto. Ao invés disso, eles lançam  milhões de espermas e óvulos no mar, onde essas células reprodutoras ficam a deriva até atingir a superfície do oceano, se colidir e formar larvas que flutuam oceano afora para formar novos recifes de coral.

Pólipos podem não ser muito exigentes quando buscam um par, mas são defensores ferrenhos e bons observadores da passagem do tempo. Os pólipos em um recife de corais lançarão seus óvulos e espermatozóides simultaneamente em rajadas eufóricas apenas uma, ou talvez algumas, noites consecutivas no ano - e eles costumam fazer isso muito rapidamente após o por-do-sol em tardes das quais a noite que se seguirá será de lua cheia. Os cientistas estão agora começando a solucionar o mistério dessa façanha de lançar simultaneamente óvulos e espermatozóides na água.

Devido ao fato dos pólipos não possuírem um sistema nervoso central, os cientistas tem estado numa busca sem resultados no sentido de entender como os pólipos individualmente se coordenam uns com os outros. Um recife geralmente seleciona um dia durante a lua cheia, no verão, para lançar, durente 20 minutos ou mais, durante as horas do crepúsculo. Entretanto os cientistas ainda tem que entrar em um consenso sobre como os corais sabem em qual mês desovar. Alison Sweeney, uma bióloga evolucionária da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, EUA, escolheu uma questão ainda mais específica: Como os corais escolhem o momento preciso da desova?

Seeney suspeita de que uma mudança no tom da cor do céu durante o crepúsculo, quando o céu deixa de ser vermelho e passa a se tornar azul, é a deixa para os corais desovarem.  Antes de uma lua cheia a lua atinge o céu antes do pôr-do-sol e, refletindo a luz rubra do sol poente, faz com que todo o céu se torne gradativamente avermelhado. Logo após uma lua cheia, quando o pôr do sol precede o nascer da lua. a lua não está mais lá para refletir o matiz rosado, e então o crepúsculo torna-se mais azulado.

Para testar a sua hipótese, Sweeney levou uma equipe da Universidade da California  para as Ilhas Virgens em Agosto de 2009. Eles observaram um recife de elkhorn, um coral caribenho comum, durante seis tardes próximo da época na qual eles pensaram que haveria liberação de óvulos e espermatozóides. Nas proximidades do recife eles penduraram um cabo ótico, até a profundidade em que o recife se encontrava - cerca de 2,5 metros abaixo da superfície - e esse cabo era conectado a um espectrofotômetro flutuante (!). Eles notaram mudanças na cor do oceano a cada crepúsculo. Sem dúvida o oceano refletia a cor do céu. Os corais lançaram os gametas na água durante crepúsculos com azul radiante: a terceira e a quarta noite depois de uma lua cheia, entre 9:20 P.M. e 9:50 P. M.

(Desculpa aí, galera, não soube converter esses horários direito, mas imagino que se fosse aqui no nosso hemisfério seria algo entre 18:20 e 18:50hs!)

Seeney, cuja equipe relatou seus resultados em Fevereiro no Jornal de Biologia Experimental (Journal of Experimental Biology), acredita que assim como os ouriços do mar (que também tem sua reprodução associada aos ciclos lunares), os corais de elkhorn "enxergam" as mudanças na cor do céu e do oceano através de sua pele, que contêm fotorreceptores do tipo encontrado nas retinas humanas.

Ela ainda não tem certeza absoluta, do porquê dos corais preferirem matizes azulados em detrimento dos vermelhos. Mas quando os receptores reconhecem as cores certas, uma reação bioquímica provavelmente ondula por todo o coral com o comando - agora!

(Texto original de Rebecca Coffey).



(P.S. Nota Pessoal - Muito curioso e interessante! É muito curioso mesmo a maneira como os pólipos lançam ao mesmo tempo seus gametas na água, o que garante  a reprodução, apesar de ser de uma maneira não convencional. Mas assim como a Sweeney, fiquei boiando! Não consegui associar uma cor a uma reação fisiológica do pólipo! Mistérios e sincronias da natureza! )

FONTE: Scientific American - Coral in Love - Why they spawn only at twilight.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Colisão de Asteróides!

Olá leitores!

Muito bem, um certo professor aí das Ecologias resolveu casar e largou o impacto do asteróide no último momento! Não deu nem tempo pra civilização terráquea se preparar! Mísseis? Não, boicote! Queremos mais prazo.

Enquanto a civilização terráquea se prepara para receber o impacto do Fernando Azevedo, deixa eu fazer uma tradução prévia do texto que estamos trabalhando em aula.

Não sei a data de publicação do texto que tenho em mãos, mas se for recente, no dia 13 de Junho um asteróide gigantesco, conhecido como 2007 XB10, com um diâmetro de 1,1 kilômetros - e o potencial para causar um dano de proporções globais - passará muito próximo da Terra, a uma distância de 10.6 milhões de kilômetros, o equivalente a 27 vezes a distância da Terra à Lua! A muitos anos que na História da Terra, não surge um asteróide gigante, que possa reescrever nossa história (geológica e cultural também!). A má notícia é que nos próximos 200 anos podemos esperar que pequenas rochas explodam na atmosfera, com força suficiente para devastar uma cidade pequena.

Um Obejto que se Aproxima da Terra (NEO- do inglês Near Earth Objetct) é um asteróide ou cometa que se chega a uma distância de 195 milhões de kilômetros do planeta. Em 2009 a NASA identificou 90 NEO se aproximando a uma distância equivalente a cinco vezes a distância da Terra à Lua e outros 21 NEO que se encontravam a uma distância equivalente a distância da Terra à Lua, ou até menos.  Existem os caçadores de NEOs que tipicamente detectam esses objetos como pequenas manchas que surgem em imagens feitas do espaço e esses lampejos momentâneos podem tornar difícil o cálculo da órbita desses objetos. Assim sendo, os pesquisadores podem fazer apenas inferências de um impacto enquanto aguardam dados mais concretos.

A NASA identificou 940 NEOs com um quilômetro ou mais de diâmetro (!!!) (cerca de 85 % do total estimado com esse tamanho), mas nenhum irá colidir com a Terra. (O NEO que varreu os dinossauros da Terra tinha cerca de 10 kilometros de largura).

A maior ameaça agora são as rochas menores de acordo com um relatório recente do Conselho Nacional de Pesquisas Norte Americano. Esses asteróides e cometas - 100 mil ou mais desses objetos medindo 140 metros ou mais - são pequenos demais para causar um Armagedom, mas mesmo os menores, ao se colidir, poderiam gerar uma energia de impacto equivalente a 300 toneladas de TNT.

E esses eventos ocorrem em média com uma frequência muito maior ( a cada 30 mil anos ou mais para um objeto com 140 metros de diâmetro) do que o impacto com um objeto com um quilômetro de diâmetro (a cada 700 mil anos).

Dado o perigo possível, o Congresso Norte Americano ordenou, em 2005 que a NASA encontrasse 90 % de tais NEOs até 2020. Mas cortes na receita do Congresso tornaram impossível para os cientistas a realização dessa busca. Os "caçadores de NEOs" obtem anualmente cerca de U$ 4 milhões do governo federal.

Em todo caso, em termos de riscos, pesquisadores estão pensando em termos ainda menores, porque o cenário mais provável é encontrarem NEOs com um diâmetro entre 30 e 50 metros, um "assassino de cidades", um meteoro que poderia explodir na atmosfera.

O mais famoso desses devastadores "explosivos aéreos", ocorreu em 1908 em Tunguska, Siberia. Foi um evento que devastou uma área do tamanho da cidade de Londres. A famosa Cratera de Meteoro em Barringer, Arizona, resultou de um meteorito dessa classe de tamanho.



Atualmente, algumas das melhores informações sobre explosões aéreas são mantidas pelo Departamento de Defesa dos EUA. O relatório do Conselho Nacional de Pesquisas, traz informações mais detalhadas sobre esses dados. Segundo o relatório explosões aéreas a 25 metros ocorrem a cada 200 anos.  Muitos explodem sobre os oceanos, onde o risco direto à vida é menor, mas onde o princípio de um tsunami é possível.

Essas são imagens da imensa cratera que existe no deserto do Arizona! Causada pela queda de um asteróide dos pequenos! (Se vierem um dos grandes, já era a Terra galera!)

Valeu!

FONTE: Scientific American - ASTEROID COLLISION