quinta-feira, 19 de maio de 2011

O PECULIAR AMOR DOS CORAIS

Deve ser bem difícil cortejar o sexo oposto quando se é séssil, o que explica o porquê dos pólipos - as menores criaturas cujos exoesqueletos formam corais - não se reproduzirem por acasalamento direto. Ao invés disso, eles lançam  milhões de espermas e óvulos no mar, onde essas células reprodutoras ficam a deriva até atingir a superfície do oceano, se colidir e formar larvas que flutuam oceano afora para formar novos recifes de coral.

Pólipos podem não ser muito exigentes quando buscam um par, mas são defensores ferrenhos e bons observadores da passagem do tempo. Os pólipos em um recife de corais lançarão seus óvulos e espermatozóides simultaneamente em rajadas eufóricas apenas uma, ou talvez algumas, noites consecutivas no ano - e eles costumam fazer isso muito rapidamente após o por-do-sol em tardes das quais a noite que se seguirá será de lua cheia. Os cientistas estão agora começando a solucionar o mistério dessa façanha de lançar simultaneamente óvulos e espermatozóides na água.

Devido ao fato dos pólipos não possuírem um sistema nervoso central, os cientistas tem estado numa busca sem resultados no sentido de entender como os pólipos individualmente se coordenam uns com os outros. Um recife geralmente seleciona um dia durante a lua cheia, no verão, para lançar, durente 20 minutos ou mais, durante as horas do crepúsculo. Entretanto os cientistas ainda tem que entrar em um consenso sobre como os corais sabem em qual mês desovar. Alison Sweeney, uma bióloga evolucionária da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, EUA, escolheu uma questão ainda mais específica: Como os corais escolhem o momento preciso da desova?

Seeney suspeita de que uma mudança no tom da cor do céu durante o crepúsculo, quando o céu deixa de ser vermelho e passa a se tornar azul, é a deixa para os corais desovarem.  Antes de uma lua cheia a lua atinge o céu antes do pôr-do-sol e, refletindo a luz rubra do sol poente, faz com que todo o céu se torne gradativamente avermelhado. Logo após uma lua cheia, quando o pôr do sol precede o nascer da lua. a lua não está mais lá para refletir o matiz rosado, e então o crepúsculo torna-se mais azulado.

Para testar a sua hipótese, Sweeney levou uma equipe da Universidade da California  para as Ilhas Virgens em Agosto de 2009. Eles observaram um recife de elkhorn, um coral caribenho comum, durante seis tardes próximo da época na qual eles pensaram que haveria liberação de óvulos e espermatozóides. Nas proximidades do recife eles penduraram um cabo ótico, até a profundidade em que o recife se encontrava - cerca de 2,5 metros abaixo da superfície - e esse cabo era conectado a um espectrofotômetro flutuante (!). Eles notaram mudanças na cor do oceano a cada crepúsculo. Sem dúvida o oceano refletia a cor do céu. Os corais lançaram os gametas na água durante crepúsculos com azul radiante: a terceira e a quarta noite depois de uma lua cheia, entre 9:20 P.M. e 9:50 P. M.

(Desculpa aí, galera, não soube converter esses horários direito, mas imagino que se fosse aqui no nosso hemisfério seria algo entre 18:20 e 18:50hs!)

Seeney, cuja equipe relatou seus resultados em Fevereiro no Jornal de Biologia Experimental (Journal of Experimental Biology), acredita que assim como os ouriços do mar (que também tem sua reprodução associada aos ciclos lunares), os corais de elkhorn "enxergam" as mudanças na cor do céu e do oceano através de sua pele, que contêm fotorreceptores do tipo encontrado nas retinas humanas.

Ela ainda não tem certeza absoluta, do porquê dos corais preferirem matizes azulados em detrimento dos vermelhos. Mas quando os receptores reconhecem as cores certas, uma reação bioquímica provavelmente ondula por todo o coral com o comando - agora!

(Texto original de Rebecca Coffey).



(P.S. Nota Pessoal - Muito curioso e interessante! É muito curioso mesmo a maneira como os pólipos lançam ao mesmo tempo seus gametas na água, o que garante  a reprodução, apesar de ser de uma maneira não convencional. Mas assim como a Sweeney, fiquei boiando! Não consegui associar uma cor a uma reação fisiológica do pólipo! Mistérios e sincronias da natureza! )

FONTE: Scientific American - Coral in Love - Why they spawn only at twilight.

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