quarta-feira, 25 de maio de 2011

SOCIEDADE TECNOLÓGICA X FORMAÇÃO ESCOLAR.

Bom dia, comunidade!
Bom dia, Arnaldo!

Tribalistas a parte, hoje está fazendo um dia nublado aqui em São João del Rei, então resolvi escrever sobre um seminário que estou montando.

A partir da Revolução Industrial e com o surgimento do capitalismo e sua consequente dominação das relações humanas sobre o planeta Terra, uma nova sociedade se configura atualmente. Com o desenvolvimento cada vez mais acelerado da tecnologia, com celulares cada vez menores e mais rápidos, processadores cada vez menores e mais rápidos e com a internet, que se tornou um verdadeiro fenômeno nas relações comerciais e pessoais e na veiculação rápida de informações, o panorama em que vivemos é o de uma sociedade dependente da tecnologia. Se acontece alguma falha de energia, tudo para e o prejuízo econômico se instala.

A política sempre esteve por trás do cenário educacional, que acaba seguindo tendências governamentais. O que existe hoje é uma lógica mercadológica e capitalista que direciona os governos e acabou por se infiltrar nas metodologias educacionais em todo o país. Com o avanço da tecnologia cada vez mais acelerado, educação e conhecimento, do ponto de vista do capitalismo, passa a ser a força motriz e o eixo da transformação produtiva e do desenvolvimento econômico. Essa lógica capitalista, da livre concorrência por exemplo, de certa forma "contaminou" as escolas.

Existem vários elementos do pensamento capitalista permeado nas escolas.O autor José Carlos Libâneo identifica nas escolas uma "pedagogia da concorrência". Segundo o autor busca-se hoje eficiência pedagógica por meio da eficiência e de resultados avaliados por meio da produtividade. Podemos identificar essa pedagogia da concorrência instalada nas escolas nos seguintes exemplos:

-Avaliação constante dos resultados (desempenhos) obtidos pelos alunos, resultados que comprovam a atuação eficaz e de qualidade do trabalho desenvolvido na escola;

- Estabelecimento de rankings dos sistemas de ensino e das escolas públicas ou privadas, que são classificadas/desclassificadas;

- Criação de condições para que se possa aumentar a competição entre escolas e encorajar os pais a participar da vida escolar e escolher entre várias escolas;

- Ênfase sobre a gestão e a organização escolar, com a adoção de programas gerenciais de qualidade total;

-Estabelecimento de formas inovadoras de treinamento de professores, tais como educação a distância;

- Descentralização administrativa e do financiamento, bem como do repasse de recursos, em conformidade com a avaliação do desempenho;

- Valorização da iniciativa privada e do estabelecimento de parcerias com o empresariado;

- Repasse das funções do Estado para a comunidade e para as empresas.

O autor escreve ainda que essa lógica mercadológica inserida nas escolas, fere os princípios como a formação moral, a formação de um cidadão integral, solidário e atuante na sociedade em que está inserido. Em vez de um projeto educacional para a inclusão social e para a produção da igualdade, adota-se uma lógica da competição em que a equidade, ou melhor, a mobilidade social é pensada sob o enfoque estrito do desempenho individual.

Libano identifica os objetivos para uma educação pública de qualidade diante dos desafios da sociedade contemporânea. Segundo o autor, é papel da escola formar o estudante para atuar na sociedade dependente de tecnologia e ao mesmo tempo preparar o cidadão para a igualdade e a diversidade.

Com base nesses objetivos educacionais identificados pelo autor, fizemos uma breve pesquisa nas escolas de São João del Rei, com intuito de descobrir se a realidade escolar se aproxima desses objetivos. Infelizmente chegamos a conclusão que o ensino público brasileiro hoje não oferece nem a capacitação tecnológica e muito menos a formação moral. Identificamos um avanço, que é a familiariedade das escolas com recursos tecnológicos como data-shows, salas de vídeos e laboratórios de informática. Todas as escolas da cidade possuem esses recursos, algumas mais organizadas outras menos, mas todas já possuem os recursos tecnológicos. Mas acontece que ainda é uma novidade, um bicho-de-sete-cabeças para a maioria dos professores e alunos. O governo do Estado capacita alguns professores para lidarem com computadores, por exemplo, mas a realidade é que essa capacitação não é efetivamente repassada para os estudantes. Eles recebem uma orientação ou outra, mas não são devidamente treinados para lidar com tecnologia, exigência do mercado que mais tarde terão que enfrentar! Quanto à formação moral dos estudantes (primordial e papel das escolas, segundo autoridades em Educação), o que vemos na verdade são aulas de Educação Religiosa disfarçadas. A Educação Religiosa é proibida pelo Estado, que diz que a Escola não pode ter religião, mas principalmente aqui em Minas Gerais o que mais encontramos são escolas cheias de dogmas católicos. A imposição de uma religião no âmbito escolar gera segregação, sempre haverá um ou outro de uma religião menos popular, e segregação é o princípio da violência. A formação moral acontece por meio de outras atividades desenvolvidas de forma transversal, atividades neutras, que ensinem ao aluno o respeito a diversidade, a igualdade de gêneros, a preservação do meio ambiente, o amor ao próximo independentemente do credo religioso.

É muito triste estudar isso, saber os princípios de uma Educação ideal, mas perceber que a realidade ainda é extremamente distante disso!

FONTE: EDUCAÇÃO ESCOLAR: POLÍTICAS, ESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO. A Educação escolar pública e democrática no contexto atual: um desafio fundamental. - José Carlos Libâneo.

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