sexta-feira, 25 de março de 2011

Evolução em Quatro Dimensões

Não terminei a graduação ainda, mas a ousadia faz com que me sinta já dentro do mestrado.
Estou lendo um livro, em inglês pra ficar bem afiado para o momento em que isto se tornar realidade, que se chama Evolução em Quatro Dimensões, de dois autores chamados Eva Jablonka e Marion Lamb

Complexo, mas bem interessante. Na minha opinião, menos chato do que alguns livro que li do Richard Dawkins, aliás esse autor merece um post aqui no RED MOSQUITO pois é um dos caras mais considerado no mundo das Ciências Biológicas e também um dos mais polêmicos!

Ainda estou no meio do livro da Evolução em Quatro dimensões. Esses caras analisam a Evolução das Espécies sob quatro diferentes prismas. O primeiro é o genético, uma análise da Evolução sob a luz da herdabilidade. Depois ele analisa as consequencias da transmissão genética de caracteres sobre o metabolismo celular. Ele também faz uma análise da epigenética, que é uma coisa mais ou menos assim - Todo DNA tem potencialidade para produzir uma série de proteínas e consequentemente uma série de funções nos organismos. Acontece que na verdade, a maior parte do DNA é uma coisa meio misteriosa, apenas uma pequena parte da molécula de DNA é funcional, produz proteínas que sejam realmente efetivas. O restante da molécula contém bases nitrogenadas que não tem uma função específica, ou que são resquícios evolutivos, restos de DNA de outras espécies humanas que sobraram na molécula. Mas acontece que existem mecanismos que podem ativar ou desativar certas partes do DNA, e isso é chamado de epigenética. Essas alterações também são transmitidas, dependendo do caso, e podem, aos poucos levar a mudanças evolutivas. A terceira dimensão da Evolução analisada no livro, se refere à comportamentos, que são passados de geração para geração, mas não necessariamente pelo DNA, mas esse comportamento herdado,  pode levar a um isolamento geográfico, ou um hábito adquirido que seja tão forte que acabe isolando os indivíduos que adquiram esse hábito, o que no final das contas, leva também a mudanças evolutivas. A quarta dimensão se refere a evolução da Cultura humana e como isso interfere na Evolução das Espécies. (Bem, ainda não cheguei nessa parte e confesso que estou curiosíssimo para saber o que eles vão demonstrar.)

Li uma coisa muito bacana que nesse livro e que é bastante polêmica, espero que consiga explicar. É que Lamarck dizia que a especiação (transformação de uma espécie em outra) ocorria pela lei do uso e desuso. O exemplo clássico é o da girafa. Ele acreditava que havia um ancestral da girafa de pescoço curto e que de tanto tentar alcançar as folhas das árvores altas para se alimentar as gerações seguintes acabam ganhando um pescoço comprido, de tanto os ancentrais da girafa esticarem o pescoço. Depois chegou a Teoria da Evolução, com o livro A Origem das Espécies, do célebre Charles Darwin, que desbancou a teoria Lamarckiana e a deixou num status de teoria inválida, ridícula e errada. Darwin postulou que a Evolução ocorre de modo muito gradativo. Ele formulou também o conceito de Seleção Natural, onde somente os mais fortes e mais adaptados sobrevivem e se reproduzem. Na época do Darwin, o Mendel ainda não havia descoberto e postulado as Leis da Genética, mas o Darwin é o cara, e ele tinha uma noção intuitiva do que seriam genes. Ele achava que os animais possuiam pequenas partes que ele, na época, chamou de gêmulos (não sei se essa palavra existe em português, no inglês é gemmule). Ele achava que os "gemmules" eram transmitidos para as gerações futuras e que a Seleção Natural atuava sobre os mais aptos e assim passava apenas os melhores "gemmules" para a frente. Depois que o Mendel descobriu e postulou as Leis da Genética, a Genética se adequou perfeitamente à Teoria da Evolução de Charles Darwin, que com a Genética passa a ser chamada de NeoDarwinista. Agora a Evolução é entendida como mutações, aleatórias, que causada por um fator ambiental, gradativamente vai transformando uma espécie em outra.

O que fazia o Lamarckismo soar como ridículo é que no meio dessa história, postulou-se que apenas o Genótipo era herdado, nunca o fenótipo. Pensava-se que as mutações sempre sempre ocorriam por acaso, e aí, por acaso (THE BIG RANDOM), uma espécie virava outra e melhor adaptada.  Acontece que fizeram alguns testes com bactérias, e as submeteram a condições de estresse (uma temperatura elevada por exemplo) e então notaram que no DNA dessa bactéria estudada ocorria uma mutação, mas não era o THE BIG RANDOM (eu acho muito engraçado, os teóricos da evolução que explicam tudo como sendo obra do acaso), era uma mutação pontual, tipo, um gene mutava e tornava a bactéria mais resistente ao calor. (No caso desse exemplo específico).

A galera teve que parar para pensar com isso. Lamarck não estava tão errado assim, afinal a bactéria mudou para poder se adaptar a uma necessidade.

Está sendo legal ler esses autores, porque eles estão tirando o poder que foi atribuído ao DNA nos últimos tempos e estão dismistificando alguns postulados que todo mundo acredita!

RANDOM É BALELA!

FONTE: Evolution in Four Dimensions - Genetic, Epigenetic, Behavioral, and Symbolic Variantion in the History of Life - Eva Jablonka and Marion J. Lamb

Um comentário:

  1. WOW... reading in english! that´s great!
    Congratulations my dear!
    By the way, are you using EFT in your daily life?

    Big hugs

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