sábado, 5 de abril de 2014

Um pouco de Filosofia da Biologia


                    Independentemente de acreditar em Deus ou em Darwin, eu consigo crer na Vida! Observando aqui o padrão de crescimento de uma muda de espada de São Jorge que minha mãe me deu, uma muda que agora já está até grandinha, mas que começou como um pedaço de planta que foi retirado de outra planta que é cultivada há exatos 31 anos, desde que nasci, comecei a refletir sobre o quanto a Vida está acima de tudo, o quanto se faz presente nesse planeta, estando conectada geração após geração, desde uma célula primitiva, coacervada, nos primórdios do planeta até os dias de hoje, numa cabeça pensante que reflete sobre si mesma ou numa planta com a incrível capacidade de crescer a partir de um pedaço de si mesma, e tudo isso através de uma ligação qu

e todos nós, seres viventes, temos desde o início dos tempos: o DNA. Eu sento, bebo um café e fico silenciosamente conversando com essa plantinha, que é praticamente uma versão vegetal de mim mesmo. Tão bonito o padrão de crescimento dela, em espiral. Uma espiral que remonta um tempo perdido além da memória humana - espada de são jorge, com suas folhas rígidas, sem dúvidas está aqui na Terra há muito mais tempo que nós seres humanos, e sem dúvidas permanecerá depois que nos auto-destruirmos enquanto espécie, pois ela além de resistente, se regenera, cresce e se adapta muito rápido. Tudo bem que o modelo do DNA já foi descrito.Tudo bem que os fisiologistas vegetais já provaram que a planta só cresce rápido em direção ao sol porque precisa realizar fotossíntese. Tudo bem que a reprodução assexuada já foi estudada em todos seus aspectos e descrita. Tudo bem a Teoria da Evolução já foi empiricamente testada e não passa de uma lei natural. Tudo bem. Mas eu não consigo deixar de achar isso mágico, encantador, fabuloso, emocionante.... divino! Essa permanência da Vida acima de todas as coisas, mesmo sobre a morte. A morte está inclusa no grande fenômeno que denominamos Vida. 

Me arrisco a falar um pouco sobre a filosofia da Biologia, que ajudará a esclarecer o meu ponto de vista. Nessa disciplina temos como uma das perguntas fundamentais a discussão do que é a individualidade? O que é um organismo? O que separa um organismo de outro? Uma membrana? Um corpo? Mas e quanto aos seres que vivem em colônias, com os corpos ligados uns aos outros, corpos que brotam de órgãos e crescem até se tornarem outro indivíduo? E quanto aos insetos eussociais (formigas, abelhas, vespas), que possuem populações inteiras, dentro de uma colônia, que são inférteis, existindo apenas para cuidar dos descendentes da Rainha, existindo não para se multiplicarem individualmente, mas para cumprir um propósito maior que elas mesmas. Alguns autores preferem chamar a colônia inteira de superorganismo. Posso ainda citar a teoria do gen egoísta (para mais detalhes procurem o texto de Richard Dawkins), que, grosso modo, diz que todo o comportamento animal, seja agressivo, comportamento de corte, cuidado parental, cooperativo, altruísta ou egoísta, tem como, digamos, uma segunda intenção, a transmissão de genes para as gerações futuras. Transmissão dos meus genes de preferência. Os leões, por exemplo, se se casam com uma leoa que já tem filhos, assassinam os filhotes do outro macho, para demarcarem seu terreno e transmitir seus genes - provavelmente melhor adaptados. Ou seja, é como se toda a diversidade, toda Evolução, estivesse agindo num sentido (sentido 3' 5' - é uma piada nerd de biólogo qualquer dia explico), no sentido de manter a vida adaptada ao planeta. E é nisso que acredito. É isso que observo, a incrível força que surge quando o assunto é manter a Vida.

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