quarta-feira, 8 de setembro de 2010

E POR FALAR EM POLÍTICA...

Não, não gosto disso não...

Afinal, parasitismo é uma relação ecológica pra lá de desarmônica! Enquanto um trabalha, sobrevive, sintetiza alimento, ou tem determinada enzima específica, o outro fica lá, só sugando...Os parasitas, com o perdão da palavra, são tão filhos da puta que ao longo da história evolutiva das espécies esses camaradas (que podem ser vírus, bactérias, protozoários, helmintos ou platelmintos) passaram por diversas adaptações pra poder continuar ainda mais folgados: ventosas adaptadas para se fixar aos intestinos, atrofiamento de órgãos de locomoção, de repente só pra ter uma desculpinha "ai, não tenho perna, então vou ficar aqui dentro de você usando seus recursos energéticos....!", adaptações ao sistema imunológico do hospedeiro, em alguns casos, como por exemplo no do protozoário Trichomona vaginalis, um horror para a mulherada que o adquire, o parasita tem mecanismos moleculares para enganar os anticorpos do hospedeiro! É o cúmulo da folga não é mesmo?

Mas existe algo de positivo na existência desses malas conhecidos por Parasitas: graças a existência deles é que nós nos reproduzimos de forma sexuada! O que? Isso mesmo. Se um dos objetivos da vida é a transmissão do patrimônio genético da espécie para as gerações futuras seria muito mais simples se os organismos eucariotos simplesmente se reproduzissem por divisão binária ou brotamento. Seria muito mais barato em termos energéticos se a reprodução fosse simplesmente um processo de produzir clones. No entanto, se assim fosse, os folgados que estávamos falando lá em cima, se adaptariam com muito, mas muito mais facilidade, já que ao longo das gerações o patrimônio genético de espécies hospedeiras seria sempre o mesmo, facílimo de identificar e de se adaptar. Mas é aí que a reprodução sexuada entra pra nos ajudar (ufa, imagina se saísse um outro Neto, clone meu, do meu braço diretamente??), com a reprodução sexuada, o material genético é sempre recombinado, e é o mesmo, porém diferente a cada geração!

Bem, as espécies parasitárias de maior interesse para o estudo (analisando pelo ponto de vista do interesse médico humano) são as seguintes:
Trypanossoma cruzi -  É um protozoário que tem como primeiro hospedeiro o barbeiro e como segundo hospedeiro o homem. Por ter dois hospedeiros dizemos que esse parasita é heteroxeno. E ele causa a Doença de Chagas. A doença tem esse nome por causa do pesquisador Carlos Chagas, que descobriu que o protozoário causava infecção em humanos quando pesquisou uma menininha chamada Berenice. Berenice de menininha passou a vovó, pois morreu, depois de todo mundo que a pesquisou, com mais de 75 anos, tendo passado 73 anos infectada com o Trypanossoma cruzi, mas nesse caso parece que um se adaptou ao outro, o que deixou os cientistas ainda mais intrigados: como essa menininha resistiu tanto tempo?

Leshmania - O buraco é um pouco mais embaixo, mas basicamente é um protozoário, também heteroxeno, que transmite uma doença grave chamada Leshimaníose a humanos que são picados por mosquitos conhecidos como flebotomídeos.

Amoeba sp - Outra mala, diversificada pra caramba (várias espécies, vários formatos...) Mas tem uma espécie que costuma dar mais dor de cabeça que é a Entamoeba hystolitica, que causa amebíase, uma doença terrível na qual a pessoa fica defecando sangue. (Dentre outras coisas!).

Giardia sp - Acreditam que eu tive o desgosto de conhecer essa sujeita pessoalmente? Pois é, não fiquei doente não, acho que meu sistema imunológico estava ok, me alimento bem, mas deu num exame que fiz. A Giardia, esse protozoário monoxeno, ou seja que parasita diretamente o homem, é contaminado através de água contaminada (lembram que contei que adoro a água mágica da Serra de São José? Só pode ter sido isso) e alimentos mal lavados. Causa uma doença chamada Giardíase. Nos piores casos a Giardia se reproduz tanto que forma um tapete no intestino do hospedeiro que fica todo fudido!
Abaixo ilustrações dessa bandida:

Bom vou almoçar antes que elas me peguem.

Respondendo ao comentário da minha amiga Telma: sim, ela tem razão quando diz que tudo na natureza tem serventia, mas assim como na vergonhosa política brasileira, na ecologia essa relação chamada parasitismo ainda não tem muita explicação. Como é que pode haver uma relação tão desequilibrada, sendo que existem outras tantas relações equilibradas na natureza? (como o mutualismo e a cooperação). Bom, uma das hipóteses que responde mais ou menos essa dúvida é a hipótese da coevolução (outra é a hipótese da seleção sexual e diversidade do material genético, se nos reproduzíssemos por fissão binária por exemplo os parasitas simplesmente eliminariam os hospedeiros da face da Terra!) onde como numa Dança Evolucionária (nossa, adorei escrever essa expressão!), mas é exatamente isso, como numa Dança Evolucionária parasita se adapta ao hospedeiro e o hospedeiro ao parasita, ou seja, está sempre desenvolvendo novos mecanismos de defesa como o  fortalecimento do sistema imunológico, por exemplo. É como o velho ditado popular: Males que vêm pra bem. Quer dizer, por mais chatos que os parasitas sejam, ao longo da Evolução, com as adaptações, eles acabam fortalecendo os hospedeiros!



2 comentários:

  1. Neto,
    Muito interessante!!! Claro que na natureza, tudo tem sua serventia.
    Mas no quesito "parasitas", quero saber qual a serventia na natureza desses deputados & cia. ltda. que vivem chupando nosso sangue... ahahahaha

    Adorei o artigo!

    bjs milhões!
    Telma

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  2. Putz... agora sim... nessa Dança Evolucionária (lindo!!) o ser humano acaba por se fortalecer mais e mais... quanto a política, bem... deixa pra lá!

    bjs amor!!

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